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14/12/2008 22:04
As coisas que a gente faz...
Me despedi do pessoal e fui à lanchonete, que era bem próxima de onde estava. O que eu não imaginava era que a compra de um sanduíche se tornaria uma disputa por um pingüim de pelúcia e o meu adversário era um menino de 4 anos de idade. Tem coisas que realmente só acontecem comigo.
A moça com sorriso amarelo me olhou e me atendeu. Pedi o Mac lanche Feliz e ela tentou me empurrar mais algum a coisa. No caixa ao lado Um senhor de seus quarenta e poucos, com um bebê no colo e outro na mão direita protagonizavam aquela cena de comercial de TV.
Ouvi quando o garoto pediu a mesma coisa que eu. Mas eu estava na dianteira, a moça já estava me mostrando o bendito brinde e apontei para o Capitão. Pai! é esse que eu quero! Gritou o menino. E o senhor, qual vai querer? Perguntou-me a atendente. Apontei para o Capitão novamente e disse O Kowalski. Me dê o pingüim. O moleque me olhou e repetiu que queria o mesmo.
A moça se abaixou e puxou uma caixa para pegar o boneco. Revira daqui e dali e ela sentenciou: Só tem um. O moleque gritou: É meu!. Olhei para ele e disse que não e o pai me olhou arqueando as sobrancelhas. Era a reprovação pura e ele perguntou se eu iria querer o pingüim. Como já não estava de bom humor em virtude do espetáculo, respondi que havia pedido aquele e que se quisesse outro teria pedido a moça. Ele começou a fechar a cara.
A culpa é do esquilo! pensei,pois foi ele que me falou dos bonecos. Em seguida olhei de volta para o pai do garoto ao meu lado. - Olha, cara, eu preciso levar esse negócio para casa. Lamento, mas não posso dar isso para ele, disse, já sabendo que era essa intenção do homem. O moleque fez uma cara de choro e se atracou a perna do pai, o miserável. Acho que até o bebê me olhou reprovando, assim como os outros atendentes que presenciavam a cena.
O olhar de reprovação do pai era algo medonho. Acho que nem Hitler olhou tão feio para um judeu, como aquele cara olhou para mim. Mas ele sabia que no fundo não poderia fazer nada. Nem mesmo fisicamente. Ele era baixinho e magricela, e, realmente, não podia fazer nada. Restava-lhe me odiar e convencer o filho que o boneco do pingüim Capitão não seria dele.
Ainda tive vontade de entregar o boneco ao garoto. Mas ele teria uma vida inteira para decepções e podia começar por ali. Descobrir que não se pode ter tudo. Principalmente quando EU quero o mesmo boneco que ele.
Não sei quanto tempo me resta de vida para me ver privado de pequenas satisfações consumistas. Paguei pelo lanche miniatura e exige que o rapaz com ar débil me desse o último pingüim do filme Madagascar (o Kowalski). São as pequenas satisfações que nos mantém vivos depois dos 30.
Agora tenho o Kowalski e o rei Lêmure. Sim, sim. Comprei os bonecos. Na maioria dos caras da minha idade que colecionam bonecos, geralmente são colecionadores que compram um action figure que vai ficar dentro de uma caixa plástica. Depois de 10 anos ele vende o boneco valendo bem mais por estar na caixa, lacrado. O mais engraçado é que o novo comprador também vai manter o action figure dentro da bendita caixa.
Nunca entendi essa coisa. Pra mim é um brinquedo e pronto. E brinquedo, independente da auto-ilusão de dar-lhes outros nomes, é brinquedo. E com eles se brinca!
Lembro quando saiu o filme (filme?!) dos Transformers e o Kauã (é assim mesmo) queria um dos bonecos que estavam sendo lançados. A mãe dele, uma senhorita bem sucedida financeiramente, atendeu-lhe o pedido e pagou quase 150 dinheiros no Optimus Prime. Fiquei fazendo s cálculos e vi que eram pelo menos 10 DVDs de Western que ele poderia ter comprado para iniciar sua formação de caráter. Mesmo assim fiquei feliz pelo moleque.
Saindo da loja ele me puxou pelo braço e me fez sentar em uma poltrona coletiva em frente às Lojas Americanas e abrir a caixa. Enquanto rasgava a caixa cheia de imagens e toda fresca, os olinhos do Kauã iam brilhando cada vez mais. Os meus também. Pô! No meu tempo não havia brinquedos idênticos aos personagens que via no cinema. Eram coisas toscas, talhadas com machado e de plástico vagabundo. Hoje não. São maravilhas da escultura, de fazer inveja a Michelangelo. O moleque tinha de aproveitar essa vantagem.
Em segundo a caixa estava em pedaços e o Optimus devidamente nas pequenas mãos do Kauã. Cinco minutos depois ele me emprestou para que eu também brincasse com o boneco. Depois de olhar todos os detalhes, devolvi o brinquedo ao dono, que saiu arrastando o objeto por dentro das lojas.
Hoje esse sentimento eu pude entender. Mesmo com a cara de choro do menino da lanchonete. Ele vai ter outras promoções pela frente, muitas outras na verdade. Eu não. Mas eu tenho um pingüim e agora ele está comigo, ao lado do macaco rei Julien. Se esse segundo foi uma batalha, como não será para conseguir o Alex e o Maurice.
enviada por Marvalsc
10/12/2008 23:35
O engodo
Já passava de 21hs quando decidi sair do IAP (Instituto de Artes do Pará) e não ir para o bar para comemorar a apresentação do ator-idelizador-pesquisador de uma espetáculo teatral. Era mais um do programas de tapuiu que a Julie me submetia, juntamente com o Jaime a namorada. E isso depois de sair de casa com fome, cansado, depois de ter dobrado o horário de trabalho, e fui me encontrar com ela. Fomos até o IAP e chegamos a tempo.
Mandaram-me entrar em uma sala adequadamente iluminada para o espetáculo e como trilha sonora tocava aquele hino dos Hare-krishnas. Entrei e me deparei com um cara sentado de braços dobrados e vestindo umas asas pretas, usando a maquiagem do novo Coringa (Batman - The Dark Night) e com um chapéu que lembrava aquele do OK que o Renato Aragão usava para representar doido. Na hora pensei: Ele vai levantar cantando: Jurei mentiras e sigo sozinho, assumo os pecados
.
Infelizmente o pensamento não se concretizou. Foi muito pior, pois o cara acreditava piamente no texto que ele defendia. Algo, como ele próprio disse, que era mais que uma peça, era um impulso. Uma golfada. Uma merda..., pensei. E os próximos 29 minutos seguintes mostrariam isso. Aliás, esse é a melhor parte do espetáculo, só dura 30 insuportáveis minutos.
Eu não poderia fazer a grosseria de sair no meio do espetáculo do amigo da minha amiga. Mesmo que algum desgraçado tenha colocado um holofote ao lado da sua perna e colocado 4 malditos incensos atrás de você. O pior que apesar desses extras, ainda tinha de ouvir o texto declamado e interpretado. Por sinal frases profundas como um pires. A morte é o fim. Um novo começo. O início, por aí vocês podem deduzir.
Dada à situação, decidi fazer o melhor que podia para me adequar ao espírito da coisa, cochilei. E acordei com um berro do maluco, desta vez vestido como um mendigo. Tem cochilar de novo e ele me olhou, diabos. Tive de fazer cara de intelectual, mas era algo difícil para alguém de bermudão, sandálias e camisa florida, tipo havaiano.
Aliás haviam os indefectíveis pseudo-intelectuais na platéia. Eles estão nestes locais, os pseudos, mesmo quando a sensatez e discernimento mostram que aquilo é um grande engodo. Mas eles não poderiam admitir isso. Afinal o pseudo clássico - que aprende jargões acadêmicos, postura estereotipada inspirada em pessoas de notoriedade, que se preocupa com o efeito estético de suas posições em detrimento de um real conhecimento de assuntos específicos, com a finalidade de parecer superior socialmente ou adquirir admiração às custas de um "parecer" e não de um "ser- só servem para comprar armação de óculos preto e grosso, disco do Tom Zé e dar bilheteria para mostra de filme albanês.
A definição do pseudo é de autoria do Edu, tirada de um fórum do Yahoo. Mais perfeita
Impossível.
Voltando ao espetáculo, não dei um minuto para sair dali e me livrar daquele cheiro maldito de incenso. Lá fora a namorada do Jaime e ele riam. Ele veio com a célebre frase: E aí, que tu achou?. Uma merda, respondi. Um côco. Uma perda de tempo do cacete e se a Julie me convidar de novo para uma desgraça dessas, eu processo a filha da mãe.
Como o Jaime também é amigo do ator-idealizador-pesquisador do espetáculo, fiquei esperando uma reação de censura ou critica. Mas aí ele arregalou os olhos chamou a namorada e disse: Olha, o Márcio também achou a mesma coisa. Depois dessa cumplicidade velada, decorri os impropérios necessários para definir o espetáculo.
Com a saída do ator-idealizador-pesquisador da sala eu achei melhor me retirar e não ir para o bar comemorar a apresentação.
- Não vais com a gente, perguntou a Julie.
- Ele vai me perguntar o que achei da peça. Eu sei o que vou responder. É melhor eu ir embora. Estou virando o super-sincero. Me despedi e fui comprar um Maclanche Feliz. Mas isso é outra história.

enviada por Marvalsc
07/10/2008 17:08
O mundo sem mulheres!
(Arnaldo Jabor)
O cara faz um esforço desgraçado para ficar rico pra quê?
O sujeito quer ficar famoso pra quê?
O indivíduo malha, faz exercícios pra quê?
A verdade é que é a mulher o objetivo do homem.
Tudo que eu quis dizer é que o homem vive em função da mulher.
Vivem e pensam em mulher o dia inteiro, a vida inteira.
Se a mulher não existisse, o mundo não teria ido pra frente.
Homem algum iria fazer alguma coisa na vida para impressionar outro homem, para conquistar sujeito igual a ele, de bigode e tudo.
Um mundo só de homens seria o grande erro da criação.
Já dizia a velha frase que 'atrás de todo homem bem-sucedido existe
uma grande mulher'.
O dito está envelhecido. Hoje eu diria que 'na frente de todo homem
bem-sucedido existe uma grande mulher'.
É você, mulher, quem impulsiona o mundo.
É você quem tem o poder, e não o homem
É você quem decide a compra do apartamento, a cor do carro, o filme
a ser visto, o local das férias.
Bendita a hora em que você saiu da cozinha e, bem-sucedida, ficou na frente de todos os homens. E, se você que está lendo isto aqui for um homem, tente imaginar a sua vida sem nenhuma mulher.
Aí na sua casa, onde você trabalha, na rua. Só homens. Já pensou?
Um casamento sem noiva?
Um mundo sem sogras?
Enfim, um mundo sem metas.
ALGUNS MOTIVOS PELOS QUAIS OS HOMENS GOSTAM TANTO DE MULHERES:
1- O cheirinho delas é sempre gostoso, mesmo que seja só xampu.
2- O jeitinho que elas têm de sempre encontrar o lugarzinho certo em
nosso ombro, nosso peito.
3- A facilidade com a qual cabem em nossos braços.
4- O jeito que tem de nos beijar e, de repente, fazer o mundo ficar perfeito..
5- Como são encantadoras quando comem.
6- Elas levam horas para se vestir, mas no final vale a pena.
7- Porque estão sempre quentinhas, mesmo que esteja fazendo trinta
graus abaixo de zero lá fora.
8- Como sempre ficam bonitas, mesmo de jeans com camiseta e
rabo-de-cavalo.
9- Aquele jeitinho sutil de pedir um elogio.
10- O modo que tem de sempre encontrar a nossa mão.
11- O brilho nos olhos quando sorriem.
12- O jeito que tem de dizer 'Não vamos brigar mais, não..'
13- A ternura com que nos beijam quando lhes fazemos uma delicadeza.
14- O modo de nos beijarem quando dizemos 'eu te amo'.
15- Pensando bem, só o modo de nos beijarem já basta.
16- O modo que têm de se atirar em nossos braços quando choram.
17- O fato de nos darem um tapa achando que vai doer.
18- O jeitinho de dizerem 'estou com saudades'.
19- As saudades que sentimos delas.
20- A maneira que suas lágrimas tem de nos fazer querer mudar o
mundo para que mais nada lhes cause dor.
enviada por Marvalsc
23/09/2008 15:41
Ai..ai..iaiai..iaiaia, tá chegando a hora... e outras histórias
È, minha gente. É chegada a hora. O homem resolve brincar de Deus e recriar em ordem microscópica a teoria de Einstein, o famoso Big Bang. E as pessoas continuam levando suas vidas normalmente, dando pipocas aos macacos e sorrindo com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar. Para piorar, os Estados Unidos da América tentam interromper uma crise prevista como pior do que a quebra da bolsa de Nova York, dizem os analistas. Fato ocorrido em 1929, lá no século passado, mas cujo fantasma percorre as salas e corredores do Federal Reserve of The United States. Ou seja, não temos de somente aguardar a colisão dos feixes de prótons do LHC, podemos esperar pelo caos mundial. Estamos ou não num mato without a dog?
O que se faz numa hora dessas? Aguardamos a crise bater nas nossas portas ou seremos sabe o lá o quê pelo erro dos cientistas com complexo de superioridade? A situação é complicada e 98% da população está defecando e andando o que para eles é bastante confortável, enquanto que eu e alguns conhecidos não dormimos direito, pensando e sem poder fazer bulhufas sobre qualquer uma das desgraças que o grande pássaro do destino descarregará em nossas cabeças.
Veja por exemplo o caso do LHC. Se der errado não há tempo para fazer nada. É como aquela piada dos tomates atravessando a rua, que adaptada, fica assim.
- Merda!
- Criamos...
- um...
- buraco neg...
- Ond...
- SHUIRPLT!
É isso. Simples assim. Milhões de anos de evolução, do reles protozoário ao sistema complexo que nos transformou nos seres pensantes, inteligentes, criativos e loucos que somos, tudo se perde em razão de minutos. Alguns dizem que são segundos.
E o que acontece? Nenhum dos cientistas poderá explicar porque deu errado. E não há pitombas nenhuma que possamos fazer, pois a droga está em andamento.
Eu comecei a entrar em delírio desde a semana retrasada. Meu objetivo passou a ser o seguinte: Esqueça os livros. Faça coisas. Todas as que não podia fazer. Menos pisar na Curuzu. Alimente-se de frituras e guloseimas e mande tudo e todos que você não gosta para o inferno. Chute a sua mãe.
Mas aí veio o problema. Minha namorada-viajante esteve aqui e se foi no sábado, obviamente com as despedidas adequadas. Antes de embarcar olhei e disse de forma sincera: Gostaria que tivesse sido você a me dar o gordinho. Ela entendeu e ao mesmo tempo se desconcertou. Começou a chorar no aeroporto.
Mulheres choram em aeroporto e eu presente, quanta novidade em minha vida...
- Porque tu disseste isso?
- O mundo vai acabar.
- Pára com isso! já te disse.
- Vai acabar...
- Não vai! E eu vou voltar, morar aqui e teremos o gordinho.
- Não haverá tempo. Nem sei se te verei de novo.
- São só quinze dias. Eu volto logo.
- Se não te ver mais, saiba que te amo, a minha maneira. And now, the end is near
- Pára!
Começou a rir de nervosa e me abraçou. Depois disse que agora queira fazer xixi.
- Por que tu é assim.
- Se não fosse não seria eu e tu não iria gostar de mim pelo que eu sou. Certo?
- É. Tu tens razão. Mas tu és chato. Mas eu te adoro.
- Eu também.
- Me adora?
- Não. Me adoro.
Rimos juntos. Ela não sabe, mas me faz muito bem. Gosto dela. Mas sei que ainda não a amo como deveria. Com ela é um processo crescente. Da forma correta. Nada de paixão. O amor se solidificando em bases verdadeiras.
- Se eu voltar de lá grávida?
Silêncio.
- Eu te mato. Mas ficaria muito feliz.
Começou a chorar de novo e as pessoas ouviram a nossa última conversa, com isso olharam para nós. Achei melhor ir embora dali e me despedi com um beijo. Foi uma das tardes de sábado mais bacana que já vivi nessa ida. O avião sumiu nas nuvens e com ele a comissária.
Talvez ela volte. Talvez a gente se veja de novo. Talvez. Tudo é uma incógnita.
Agora, cadê o filho-da-puta que ligou o acelerador?!!!
Contemplem o "rodoanel" de hadróns.
enviada por Marvalsc
19/05/2008 18:11
The voice
Há diversas razões para se ouvir um disco - qualquer um desse cantor principalmente assim que o dia amanhece e você precisa se preparar para a vida cotidiana. Os motivos para ouvir essa voz são os mais variados: alegria, tristeza, paixão, felicidade, estímulo sexual. Qualquer sentimento. Pois as canções se encaixam em qualquer situação. Uma de suas interpretações mais famosas embalam até mesmo os funerais de muitos norte-americanos até os dias de hoje. Mas neste 14 de maio, como todos os dias, acordei, liguei o aparelho de som macgyverizado por mim e fui direto ao patamar mais alto da estante. É o chamado Olimpo musical Marvalsquiano. Lá se encontram os discos dos artistas que mais aprecio. Decidi pelo duplo com músicas românticas interpretadas pela velho olhos azuis. No disquinho de plástico comprado por apenas quatorze reais, estão algumas das mais belas canções eternizadas pelo Francis Albert. Mas não queria ouvir para uma satisfação pessoal, mas por ele, que por razões alheias a sua vontade, se calou no dia 14 de maio de 1998. Mas pela graça da tecnologia teve sua vasta obra preservada nos milhões de discos vendidos ao longo da carreira daquele que é apontado por muitos como o maior cantor popular do século XX.
Descendente de italianos, Francis Albert Sinatra nasceu no dia 12 de dezembro de 1915, no pequeno condado de Hoboken, estado de Nova Jérsei, e reinou por mais de meio século no mundo da música popular americana e mundial. Ajudou a difundir a música norte-americana pelos quatro cantos do mundo. Sem falar que ele é parte da própria história cultural e artística dos EUA.
Sempre junto de belas mulheres, Sinatra foi um bon vivant e conquistador inveterado. Mas como todos aqueles que beiram a canalhice com suas conquistas, sofreu do pior mal que pode se abater sobre essa espécie: a paixão.
Em 1945 ele conheceria Ava Lavinia Gardner, a morena de olhar sensual e pernas longilíneas - o poeta Jean Cocteau a definiu como o "mais belo animal do mundo - fez Sinatra perder o rumo, se apaixonar perdidamente e desistir de um casamento com Nancy Borbato, com quem era casado desde 1939 e tivera seus quatro filhos: Nancy, Frank Jr. e Christina. Mas não pensem que os olhos azuis miravam apenas Nancy. Muito pelo contrário. Ela era uma espécie de Amélia para Sinatra. Antes do nascimento da caçula, Nancy abortara de uma outra criança, devido as complicações emocionais, quando soube de um affair de Frank com a atriz Lana Turner e posteriormente Marilyn Maxwell. Tudo isso antes do período Gardner.
A separação causaria uma verdadeira polêmica nacional, dada a característica hipócrita da sociedade norte-americana. Ava, obviamente, não teve solicitado o pedido de canonização em vida pelas senhoras de família junto ao Vaticano, para não lembrar do que ela foi chamada até mesmo pela própria mídia. Ele pulou a cerca pelo menos duas vezes
Depois de conhecer Ava, o casal se encontraria algumas outras vezes ao longo de seis anos. Casaram-se em 1951, dez dias após o divórcio com Nancy ter sido concluído, mas o casamento durou bem menos do que se esperava. Em 1953 o amor já era, mas o divórcio só viria em 1957.
Ele se casaria outras duas vezes. Em 1966 com a também atriz Mia Farrow, com quem terminaria dois anos depois, e em 1976 com Barbara Marx, com quem viveu até o fim de sua vida. Lauren Bacall, Juliet Prowse e Angie Dickinson foram algumas das outras vítimas de Francis Albert ao longo se sua gloriosa vida. Podem falar o que for, mas que ele tinha bom gosto para mulheres, isso é inegável.
Não vou me alongar sobre a Voz, não sou seu biografo, nem pretendo sê-lo. Mas na verdade é só uma pequena e singela homenagem ao cantor que mais me encanta e fascina. Além de ter embalado os meus próprios relacionamentos. Talvez eu nunca tenha uma Lauren Bacal ou uma Ava Gardner no meu caminho, mas ninguém vai poder criticar as belas e maravilhosas mulheres que conheci até hoje. E eu fiz isso a minha maneira.

enviada por Marvalsc
06/04/2008 18:55
Adeus às armas
John Charles Carter foi um artista controverso, mas inegavelmente talentoso. Deixou para os amantes do cinema uma filmografia considerável. Nada mais nada menos do que 112 filmes no currículo e uma paixão pelo teatro pouco conhecido do público. Entre seus filmes mais conhecido está Ben-Hur (1959), o primeiro filme a conquistar 11 oscars. Ele próprio levou para casa um dos prêmios, o de melhor ator. Quem conhece um pouco de cinema já sabe que John Charles Carter é na verdade Charlton Heston. Afinal de contas o nome John Charles não combina com um cara que interpretou Ben-hur e Moisés, em os Dez Mandamentos (1956). Heston morreu hoje, deixando como legado papéis marcantes, interpretações grandiosas e um posicionamento político e pessoal que despertava o interesse da mídia sobre aquele que foi uma das grandes estrelas da história do cinema.
Lamentavelmente a nova geração só veio conhecer Charlton Heston como o velho carrancudo e presidente da National Rifle Associatiion (NRA). Foi assim que ele foi retratado no documentário Tiros em Columbine (2002), dirigido por Michael Moore, onde Heston defendia do direito quase sagrado de um norte-americano portar em casa uma Smith-wesson, Browning, Remington, ou qualquer outra coisa que cuspa chumbo.
Como todo e qualquer espectador do documentário, graças a atitude piegas (piegas sim!) de Michael Moore, não há como não odiar o velho. Está uma das contradições que marcaram a vida de Charlton Heston. O mesmo homem que defendia o uso de armas e que se tornará o presidente da NRA, era o mesmo que em 1963, ano da morte do presidente John F. Kennedy defendeu abertamente o controle da venda de armas pelo governo americano.
O mesmo Heston marchou ao lado de Martin Luther King na luta pelos direitos civis do negros norte-americanos. Muita gente adora idolatrar os Estados Unidos, mas não sabe que enquanto um negro no Brasil podia entrar num ônibus (claro que aqui também existe a droga do racismo) e sentar tranquilamente, isso nos EUA era algo bem complicado. E isso aconteceu há pouco mais de 50 anos. Por causa de um lugar no ônibus, os negros passaram (a duras penas) a serem respeitados como cidadãos comuns. Ao menos no papel.
Charlton defendeu a igualdade de direitos antes disso ter virado moda entre os bancos famosos. Duas décadas depois, o mesmo ativista seria chamado de homofóbico. Contraditório ou não? Além disso, um cara que esteve ao lado de Luther King seria visto menos de vinte anos depois apoiando de braços dados Ronald Reagan, de quem era amigo, para presidente. Ele voltaria a carga ao fazer campanha para George W. Bush. Essa dedicação aos republicanos rendeu-lhe em 2003, a Medalha da Liberdade entregue à Heston pelo próprio presidente Bush, em solenidade realizada na Casa Branca. Vai entender...
Para mim, que sou reles fã, não do cidadão John Charles Carter, muito menos do artista Charlton Heston, mas do personagem Judah Ben-hur, naquele que é um dos maiores e melhores filmes de toda a história do cinema. Para o limbo quem pense ao contrário. E sabe porque? Não é pela direção de William Wyler, nem pela trilha de Miklós Rózca, mas pela tématica do filme: esse sentimento beloe vigiroso que é a vingança.
Se com o Charlton Heston o filme já é bom, imaginem se o Marlon Brando tivesse aceitado interpretar o personagem? E não recusado, como fizeram também Burt Lancaster e Rock Hudson. Seria magnifíco, mas não se pode ter tudo.
Essa é a lembrança que vou guardar de Charlton Heston, além claro do Moisés de Os Dez Mandamentos, do diretor Cecil B. DeMille. Isso sem falar de El Cid, Planeta dos Macacos, A última Esperança da Terra (1971), Júlio César (1970) , Agonia e Êxtase (1965), A Marca da Maldade (1958), O Maior Espetáculo da Terra (1952). Pelo que se vê, opções não faltam.
Ah, só para encerrar. Se alguém ler o portal Último Segundo, saiba que a informação de que ele fez apenas 66 filmes é completamente errada.
Obrigado Charlton, meu velho. Descanse em paz. Mas caso isso não aconteça é melhor enterrarem você com seu rifle.
enviada por Marvalsc
06/02/2008 17:05
Samba pa ti
É engraçado como as coisas são perenes na vida de uns e um turbilhão maluco para outros. Eu não faço parte do primeiro grupo. E nunca farei. Talvez um dia - e esse dia vai demorar, eu comece a acreditar em coisas que são implantadas no subconsciente de quase todo e qualquer ser humano do lado ocidental do planeta. A verdade é que eu espero muito ver o Datena e Marcelo Rezende narrando o fim do Mundo, tudo a cores e em breve em HDTV para todo o país. O porquê de tudo isso? É que hoje completo mais um ano nesse planeta miserê e enquanto eu estiver por aqui, haverá alguém torcendo pelo fim da raça humana. Welcome to my world!!!!!!!!!
Hoje é decidi retomar o vida do blog. Foi atendendo a um pedido especial de uma figura que veio, passou e vai permanecer muito tempo junto das memórias de coisas boas. Mesmo porque, sendo comissária de bordo, ela não tem como passar muito tempo longe de Botsuana. Aliás, Fabiana, o seu foi um dos melhores presentes que já recebi de aniversário. Afora a embalagem que era s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l...
Aliás, da próxima vez, dança de novo ao som de "My baby just cares for me", da Nina Simone. E eu prometo que canto "You're just too good to be true... can't take my eyes off of you... You'd be like heaven to touch... I wanna hold you so much..."
Como sempre eu digo: A vida é uma merda! mas é bôa e divertida. Gostaria que o Batráquio, o Coiote, o Esquilo e a Camilinha estivessem aqui hoje, para comemorar essa farra. Mesmo sem eles, os amigos de fé estarão presentes para uma (uma?!) partida de bilhar e muita cerva.
Hoje é dia de rir, me divertir. De não ver corpos pelo chão. Nada de lágrimas, nem de choro. Não quero abraços. Nada disso. Quero a companhia das pessoas que valem a pena ter por perto, dos amigos verdadeiros, onde o respeito e a confiança nos unem como superbonder.
Quero sentir a pele da mulher-bailarina nas minhas mãos. Mesmo que eu tenha de esperar até as duas da manhã para fazer isso. Quero te ver dançando, rindo com teu sorriso perfeito e com os cabelos soltos, como naqueles malditos comerciais de shampoo. Quero te abraçar mesmo que seja (talvez) pela última vez, te beijar (quem sabe?) pela última e dizer que te amo (para sempre).
Sabe, eu estou escrevendo, quase delirando em meio as palavras que me vêm, e surdo pela música que se entranha no meu cérebro. Estou sozinho cercado de tanta gente. Mas não há solidão alguma. É um torpor inverso, com a realidade mais real do que nunca. Um estranho êxtase delirante de lembranças que quase me fazem sentir o calor da tua barriga. Enquanto descanso do desejo que me consome.
Vou sentir falta de você. Mas como das outras vezes não posso impedir seu caminho.
Você deve estar achando estranho ler tudo isso aqui. Exposto para pessoas que você não conhece, nunca viu e provavelmente nunca vai ver. Mas é sincero, verdadeiro. E se te conheço "um pouco", você riu um bocado lendo isso tudo. E deve ter corado por coisas que escrevi.
É, sou assim quando escrevo. Não era isso que você queria ver uma única vez? Pois bem, aí está. Espero que tenha valido a pena voltar a dar vida a esse Blog. É o meu dia, mas o presente é seu. Obrigado.
enviada por Marvalsc
12/07/2007 14:52
A morte e a morte de mim mesmo
(O último texto)
Existem momentos na vida em que você se vê diante de um abismo e a tentação de pular é praticamente inevitável, principalmente aos sonhadores. Muitos o fariam pela crença de que podem voar. A queda livre seria a certeza irrefutável de que isso não é possível aos mortais.
Há duas possibilidades nesta situação, ou você dá mais um passo firme em direção as suas crenças, ou simplesmente recua diante da sórdida e cruel realidade. Mas qual o preço de cada uma de suas decisões?
Em pouco mais de um mês eu tive de optar por continuar no mundo maravilhoso das coxinhas, da cerveja e do bendito cigarro, pelo mundo cru das saladas verdes e sucos a base de soja. Esse foi o momento de parar diante do abismo.
Hoje eu descobri que estava à beira de um coma hipoglicêmico; (mais seis pontinhos na minha taxa de glicose e poderia estar jogando poker com o Satanás neste momento). Mas isso depois de receber o resultado dos novos exames que mostram que a dieta mediterrânea e os remédios já me ajudaram a baixar taxa para apenas um ponto acima do limite normal.
Apesar de tantas mudanças, eu decidi que devo morrer de qualquer forma, mas não fisicamente. Devo morrer pelo que me tornei: livre, crítico, descrente, com grande abjeção a ignorância reinante e a imbecilidade quase que generalizada do mundo.
Não nasci para ser algo. Eu sou mais que isso. Não nasci para ter um rótulo de profissão e ser colocado no almoxarifado do mercado de trabalho. Eu sou o nome que carrego e isso que deixarei de uma forma simples, ou de uma forma inesquecível para muitos.
Hoje eu morro para me tornar aquilo que querem que eu me torne: mais um. Que assim seja. Mas como disse antes, tudo tem um preço. O meu será cobrado com morte daquele que todos conhecem. Pois no meu mundo não existe cinza, ele é preto ou é branco.
O dia de hoje serve como uma pira funerária de sentimentos, de uma vida e daqueles que morrerão (nunca tive vocação para morrer sozinho) junto com que tenho sido até hoje. Renasço para ser aquilo que determinam que eu seja, mas não pensem que isso será barato.
Este é o último deste blog. Agradeço a todos aqueles que acompanharam meus textos, que elogiaram e se divertiram com todas estas coisas malucas. Obrigado.
Vida longa e prosperidade.
enviada por Marvalsc
08/05/2007 15:52
Marvalsc, o Mago
A arte da magia é para poucos. Isso eu já aprendi. Mas a grande mágica de fazer chover eu aprendi por acaso, e foi presenciado por D. Misce, minha vítima favorita do meu talento de ludibriar pessoas. Se Paulo Coelho, com todo respeito, pode, porquê o grande Marvalsc não poderia também?
É preciso muito pouco para fazer uma pessoa desesperar-se com um princípio de chuva e correr para retirar as roupas dispostas em um varal no quintal de sua casa.
Paulo Coelho deve ter estudado anos sobre os manuscritos dos monges tuberculosos de Maharashtra, mas a minha iluminação veio quando eu escorria o arroz do dia a dia e preparava para enxugar um escorredor de plástico de R$ 1,99. Ao sacudir no ar o apetrecho, em direção ao quintal, formou-se no chão um rastro de pingos de água. Era a glória. Imediatamente molhei novamente o escorredor e sacudi em outra parte do quintal. Nascia um chuvisco artificial.
Era preciso dar maior credibilidade a minha chuva. Por alguns instantes minha mente maquinou, e adentrando no quarto do conhecimento e ferramentas consegui o que faltava para o princípio de uma grande chuva.
O que aconteceu depois será narrado aqui, e ficará como ensinamento para aqueles que buscam o conhecimento acima de escrúpulos e incertezas.
1º Ato Eram por volta das 13hs. Esperei o tempo ficar um pouco nublado e molhei novamente o escorredor e segui aspergindo água e criando o chuvisco por todo o quintal. O cenário estava pronto faltavam os efeitos especiais.
2º Ato - D. Misce estava deitada na rede (o descanso da guerreira). Aproximei-me devagar pela porta da sala, mirei contra a rede e disparei o flash de uma velha máquina fotográfica. Nascia o relâmpago. Foi o suficiente para fazer a velha dar um salto e dizer: Minha nossa senhora! Lá vem o diabo da chuva. Márcio me ajuda a tirar a roupa do varal!. Respondi que não podia ajudar, pois estava no banheiro preparado para a segunda parte do plano.
3º Ato Pude ouvir o barulho do portão se abrindo desesperadamente. Meu Deus! Já molhou tudo, disse a velhinha. Neste momento, munido de duas seringas cheias de água, começou a chover sobre D. Misce. Márcio me ajuda, que está chovendo! gritou a velhinha. Um novo relâmpago clareou o quintal de casa. Jesus amado! Vem um temporal..., lamentou.
4º Ato Quase não me contendo de tanta satisfação - me senti uma espécie de Jean-Baptiste Grenouille em busca da chuva perfeita, corri para encher mais uma vez a seringas de água, enquanto D.Misce retirava o restante da roupa. Nem precisei utilizar a segunda seringa de água, pois com uma velocidade surpreendente ela retirou todas as roupas do varal. Eu havia conseguido. Eu fiz chover e D.Misce acreditou.
5º Ato Voltei para a sala e pude observar a velhinha estender as roupas no varal do quarto. Sentei e esperei. Diacho! Tu nem pra me ajudar a tirar as roupas, disse ela. Limitei-me a sacudir o jornal e olhar para ela. Foi novamente até a janela da sala para poder verificar o tempo. Aqui na frente está seco, mas continua escuro. Não vou mais estender lá fora. Eu continuava impassível lendo o jornal.
5º Ato D.Misce voltou para a rede. Corri para o quarto e peguei o fazedor de relâmpagos. Mirei novamente para o quarto onde a velhinha se encontrava: Minha nossa senhora! Mais vem muita chuva..., disse. Desta vez não saiu da rede, contentou-se com o comentário e ficou se balançando na rede. Estava cumprida a minha missão. Cerca de quinze minutos depois começou a chover de verdade. Mas já não tinha graça, não era a minha chuva.
Assim segue-se a vida com novas descobertas e possibilidades. Se posso fazer chover, o que a vida não aguarda pela frente? Neve? Quem sabe...

enviada por Marvalsc
08/05/2007 14:06
Ao padrinho
O lamento de se perder algo que admiramos é infrutífero. Não adianta nada. É ineficaz, inútil e muitas vezes até demagógico. Mas que faz uma bem danado, isso faz. O meu lamento é por ele, Marlon Brando.
Se um dia alguém descobrisse a história da infância e adolescência de Deus, e decidissem filmá-la, ninguém melhor para representá-lo do que Brando. Seria um Deus já sem a opulência da juventude, reflexivo e mergulhado em lembranças de uma vida singular.
Quando lemos a bíblia (Velho Testamento) temos a sensação de um Deus belo, poderoso, impetuoso e vingativo, etc.
Mas quando encaramos a própria realidade os questionamentos são inevitáveis: Porquê? para onde? Como?, Onde ele está? Isso remete invariavelmente a uma comparação com a careira de Marlon Brando.
Comparado a Deus ele teve perdas maiores em vida. Deus perdeu seu único filho. Brando perdeu um casal. E houve quem o culpasse pelas suas tragédias pessoais. Mas ou menos como um das últimas frases de Cristo: Pai, porque me abandonaste?
Assim como Deus atuou no Gênesis, Brando o fez em o Selvagem da Motocicleta. Os dois são arrebatadores em suas primeiras aparições. Durante um tempo - Deus apenas sete dias - eles se mantém como os maiorais e inquestionáveis. Mas o tempo faz que se percebam as nuances psicológicas, e atitudes típicas de seres que excedem seus semelhantes. Deus os têm, e ao que parece somos nós. E entre nós esteve Brando. Portanto é plausível deduzir que Brando é Deus, e Deus o próprio Brando. Se alguém considera o contrário, Fo#¨%*!!
Após a sua magnífica atuação em Gênesis, Deus se recolhe e deixa as coisas caminhem, abrindo espaço para outros coadjuvantes. Eventualmente ressurge para demonstrar seu poder absoluto. Brando é assim também em sua carreira. Depois de sucessos e atuações inesquecíveis como em "O selvagem da motocicleta" e "Um bonde Chamado Desejo", ele se recolhe a um mundo próprio.
No segundo filme ele dá vida a Kovalski - não por um acaso assemelha-se a Marvaslc - que lhe rendeu seu primeiro Oscar. Depois disso só retornaria para garantir outro prêmio pelo magistral D. Vito Corleone. Papel para o qual teve de se submeter a teste, pois, como Deus, muitos já não acreditavam nele.
Outro personagem marcante para mim (para a crítica é gaiatice) é Jor-El, pai de Kar El, o popular Super-Man. Este foi o primeiro filme que vi no cinema e uma das grandes lembranças de infância. O ano era 1978. Mesmo ainda com uma mente em formação, me perguntava o que seria se fosse o pai do Super-homem que viesse para Terra, com todo aquele conhecimento. Isso atiçou mais ainda mais os pensamentos, pois, passados alguns anos, percebi que o filho deste vestia a cueca por cima da calça. Ainda assim era o maior dos super-heróis.
Voltando a Vito Corleone, este é o personagem mais marcante do cinema para os ingleses, numa votação ocorrida há pouco menos de um mês. Não sem razão. Quem conhece a saga dos Corleone, sabe que somente De Niro chega perto de igualar uma atuação impecável como de Brando. Al Pacino é fantástico como o atormentado Michael, mas são escolas diferentes, como diferentes são os talentos. Brando superou a todos eles.
A partir daí aparições esporádicas, como Deus em seus milagres inexplicáveis, dá o ar de seu talento. Em "Apocalipse Now" ele mostra novamente seu temperamento mandando as favas o roteiro, criando seus próprios diálogos, ou melhor monólogos. A frase final do filme deve ser um retrato do espírito de Coppola ao perguntarem como andavam as filmagens: "Horror, horror".
Mesmo em um filme trash- A ilha do Dr. Moreau - ele conseguiu se sobressair. Acho que a única razão de alguém assistir aquilo foi poder vê-lo de novo na tela.
Em "D.Juan de Marco", ao lado de Jonnhy Deep e Faye Danaway. Ele ressurgiu gordo, e longe da imagem do galã que o perseguiu durante os anos 50. Ele odiava a indústria do cinema por isso. Conhecedor que era do próprio talento - o que em absolutamente nada tem haver com imagem - afastou-se justamente para poder tentar se desvencilhar dessa imagem. Mas isso foi criado involuntariamente pela rebeldia própria dos seres geniais, que transcendem a regras e leis cabíveis somente aos meros mortais.
A América dos anos 50 era assim, o paraíso da extrema-direita conservadora (se é que mudou alguma coisa).Brando surge na tela de jaqueta de couro e pilotando um dos ícones da eterna rebeldia: uma Harley Davidson.
Um contra-ponto ao stablishmennt da época. Músculos a mostra e um magnetismo ímpar, contra senhores de corte escovinha metidos em paletós e gravatas. Assim surgiu Brando para o mundo, e assim ficará para sempre: Belo, sedutor, rebelde, contestador e com aquele eterno semblante de quem estava acima de todos, não por arrogância, mas pelo talento incomparável.
Era um dos personagens principais que caminhou no mundo de meros coadjuvantes. Viva ele!
enviada por Marvalsc
12/02/2007 22:15
One more time...
Sim. Eu ando meio emotivo, mas isso não vai me fazer partir o cabelo para o lado e pedir emprestado o rimel das minhas amigas, muito menos achar Simple Plan ou CPM 22 bandas maravilhosas. A cada aniversário eu passo por essa fase.
Acordei no último dia 6 com a chuva lá fora, desempregado, ouvindo Sinatra, Elvis, Miles, com o telefone tocando o dia inteiro. O celular maluco também trabalhou. Esse é o lado bacana do processo, existem pessoas que gostam de mim, que me acham legal e divertido. Essas pessoas já mais sairiam de um manicômio se visitassem algum, num dia qualquer.
Comemorações a parte (bilhar e cerveja), a noite terminou com chuva, um sorriso sacaninha, uma camiseta engraçada e braços pequenos e macios em volta do meu pescoço. Não deu para dormir no paraíso. Mas quem disse que eu iria dormir.
Voltei para casa e aceitei que a vida é boa para este que vós escreve.
Saudades - A verdade é que ando saudosista de velhos amigos. Alguns eu ainda sei que verei, outros se foram para sempre. E isso é estranho, pois eu completei 35 anos na semana passada e já perdi muita gente que aprendi a gostar. E que acreditava que estariam ao meu lado até o fim dos meus dias.
Não falo de amores vividos, mas de amigos de infância, de escola, dos caras com treinei minhas primeiras lutas, da turma dos 12 condenados. Alguns foram literalmente condenados pelo destino. Havia ainda os Sete cavaleiros do Apocalipse, dos quais só restam quatro eu sou um deles.
Eu parei para fazer as contas esta semana: a vida já me privou da companhia de sete grandes amigos. Vá lá que nem todas eram realmente pessoas exemplares. Mas e daí? Eram caras que eu aprendi a confiar, curtir a vida e que me fizeram aprender coisas nem tão boas, mas úteis em certos momentos. Quem nunca roubou um carro, que desfaça a primeira ligação direta. Quem nunca espancou um assaltante? Quem nunca deu tiros para alto para comemorar um gol de seu time? Quem nunca mentiu deslavadamente para proteger um amigo? Se você, nunca fez isso, parabéns! Significa que és um cidadão exemplar, seguidor das normas sociais e futuro exemplo para os mais jovens. Não sou assim.
Não vim para melhorar o mundo, nem deixá-lo mais justo, mas não sou discípulo da omissão. Sou justo e...vingativo. Não adianta. Isso não vai mudar. Eu espero o tempo que for para ver as coisas acontecerem do jeito que elas devem ser.
Ódio - Na semana passada morreu um cara que eu detestava, por quem nutria ódio puro. È indescritível a sensação que senti ao ler no jornal sobre a morte do infeliz. A primeira reação foi dar uma gargalhada. A segunda apagar da minha mente um dos quatro rostos que carrego no fundo do meu cérebro, cujo propósito, puro e simples. é odiá-los e amaldiçoá-los até o fim dos meus dias. Esse sou eu. Faltam três...
Mas deixa isso pra lá. Cada um terá o destino que merece.
Outro ano se foi e eu continuo por aqui. Deve haver alguma razão para isso. Sendo assim, eu vou levando até o dia que tiver de jogar xadrez com a morte. Acho que vou desafiá-la para um bilharito e umas cervas antes do serviço. Quem sabe ela não curte e me deixa por mais algum tempo por aqui. Até mais e obrigado pelos peixes.
Há lugares dos quais vou me lembrar
por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado
Alguns para sempre, e não para melhor
Alguns se foram e outros permanecem
Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos, dos quais ainda posso me lembrar
Alguns estão mortos e outros estão vivendo
Em minha vida, já amei todos eles
enviada por Marvalsc
16/01/2007 22:09
Fim de semana perfeito
Uma das coisas boas da vida é você ter a oportunidade de reunir em um único lugar boa parte das pessoas que se aprende a gostar e que se quer ter por perto, sejam nas horas divertidas, sejam nas mais complicadas. Este fim de semana foi um desses momentos mágicos, divertidos e que se pode guardar para sempre como uma boa recordação de alguns de seus melhores amigos.
Talvez não seja o fato de poder ficar falando mal - no bom sentido, se é que isso é possível - do Stélio, enquanto ele não chegava. Nem mesmo ter de repetir pela enésima vez a história do Porre Jesus, que quase me levou a andar sobre as águas. Muito menos encarnar no Caverna sobre sua experiência sexual galinácea. Nesses momentos não se respeita sequer os altos cargos do Itamaraty, que o diga nossa amiga Chanceler. O bom mesmo poder dividir com os amigos uma garrafa de absinto (ô coisinha boa), uma lasanha caprichada da Viviane, e por o papo em dia, ou melhor, as encarnações em dia.
De brinde se pode reunir essa turma toda e curtir uma festa com outros bons amigos e reunir tudo numa farra só.
Mesmo com uma estranha sensação de distorção tempo-espaço... Não! Não sou o Flash! Eu estava porre mesmo. Deu para lembrar de dançar com a Dani, bater papo, e como a história é minha, não podia faltar um momento de estresse: bancando o segurança e evitando um o que poderia ter sido um porradal dos bons. Odeio os psicólogos por isso. Em outros tempos sentava a mão e perguntava depois.
Houve ainda um momento muito especial, desses que mesmo alterado não se esquece: a certeza que um ciclo de sua vida se encerrava definitivamente ali, com um abraço, sorrisos, o desejo de boa sorte e felicidade mútuas. É nessa hora que se percebe que a vida realmente é algo muito simples, somos apenas nós que complicamos tudo. Quando olhava eu via o tudo, hoje há o nada, mas não o nada absoluto e sim aquele que deixa rastros, escombros, sensações e lembranças de uma vida passada, dessas que valeram à pena, obrigado.
E assim foi mais um fim de semana. Mas não igual aos outros, muito diferente, muito divertido, muito bom. Obrigado pela amizade de cada um dos remanescentes do eterno Gueto F. E que momentos como esse a gente possa repetir sempre.
"Um irmão pode não ser um amigo, mas um amigo será sempre um irmão." - Benjamim Franklin
enviada por Marvalsc
31/12/2006 22:09
Adieu 2006!
Mais um ano vai... Mais um ano vem... Quase que eu vou também...
Eis que os assaltantes finalmente empataram o jogo. Ontem sofri meu quarto assalto, empatando o jogo com os amigos do alheio. Ou seja, estava dois a um para mim. Duas surras e uma faca no peito contra. Na noite de ontem não dava nem para pensar em reagir. Uma arma é uma arma. Além disso, se fizesse alguma coisa e acontecesse algo com o Apul, vulgo Renato, me sentiria culpado o resto da vida.
O importante é que nem eu nem o Apu sofremos qualquer coisa. Mas é estranho ver partir sua mochila com um monte de trecos, papéis, a barra de ferro que surrou uns e outros (até terçadada ela evitou), fora a grana que me restava e a renda das Casas Caverna. Ainda bem que não fui roubado na sexta.
O mais interessante foi sair em uma viatura em perseguição ao assaltante. Claro que não deu em nada. Em compensação conheci uma outra dimensão do Centro de Belém, que graças a Deus eu não conhecia. Era possível ver seres que tinham acabado de roer o fêmur da própria mãe e ainda com nacos de carne nos dentes sorriam para os policiais na maior desfaçatez.
Entramos em vielas e becos que nunca pensei que existissem no Centro da cidade. Cada figura que os policiais abordavam era possível ver aquela fisionomia de eu devo, eu nego até a morte, mas te levo comigo.
Os botecos por onde passamos eram outra coisa a parte. O melhor deles foi um em que pude ver três Orcs de saias e um garçon do bar do Jabba. Aquilo ali só pode ser um portal dimensional, não uma rua do Jurunas.
O fim de ano esta chegando e com ele chega o meu inferno astral dos 3.5, com direção manual, mas com cambio automático.
Que venha 2007, trazendo junto os dez anos do Gueto F, a ser comemorado com pompa e circunstancia que a data merece.
Apesar de tantas coisas, esse foi um ano bom. Com muita coisa boa; pessoas especiais; novas amizades; novas conquistas - Samba pa ti, passou a ter uma nova dimensão na minha vida; a saudade de dois grandes amigos (Jack e Marco vcs são especiais); o falecimento de um bom e velho amigo (que Deus o tenha); o nascimento da Sandrinha e o do filho do Érico com a Maria Luisa; as festas da On The Rocks; as farras no bar da Ester; as semanas de trabalho na Caverna; ver que os bons e fieis amigos estão encontrando seus caminhos e sendo felizes.
Desejo de coração a todos os meus queridos amigos, os que estão por perto e os que estão distantes, um ano de muita tranqüilidade, sabedoria, paz, saúde e muitas conquistas (pessoais e materiais, por que não?). Que esse seja o caminho de todos nós. Um abraço e um grande 2007 para todos.
Mesmo depois do assalto, Renato manteve-se calmo e agradeceu a Ganesha por não terem roubado nada dele.
enviada por Marvalsc
06/11/2006 22:19
Who watches the watchmens?
Ontem eu passei o dia lendo uma série - considerada por muitos críticos e fãs de quadrinhos como à obra-prima dos quadrinhos, que há tempos eu queria ter. Eu me refiro a Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons. Terminei às duas da manhã.
Para quem é habituado com literatura, tal qual este que vós escreve, quadrinhos é visto geralmente com preconceito. Para muitos é imaturo, bobo e pobre em argumento entre outras críticas mais. Mas não é verdade. Existe muito mais riqueza e profundidade em Watchmen do que em toda a obra de Paulo Coelho, por exemplo. E digo que isso porque já li o mago de marketing.
Citei o Paulo Coelho porque se tornou referencia em literatura barata e de baixa qualidade. Por essa razão vende tanto. È simples, óbvia, e com alguma mensagem aprendida em algum livro de Hare-Krishinas, desses que se encontra nos aeroportos da vida. Podem reparar, é fato.
Tenho certeza que um dia um dos livros dele vai terminar assim. Ela sorriu para o jovem vestido com seu agasalho de colégio. Quando o trem começou a se afastar da plataforma, Laurie sorriu novamente e gritou: Se a vida lhe der um limão, faça uma limonada!. Sebastian ouviu e as lágrimas lhe vieram ao rosto. Enquanto o trem desaparecia, como se estivesse entrando no crepúsculo laranja do sol de Madagascar.
Não sou do tipo que critica algo devido à opinião de algum doido, que lê resenhas e se acha com bagagem cultural suficiente para espinafrar a obra alheia. Eu digo que não gosto por conhecimento. Por isso eu busco aprender 24 horas por dia. Até hoje eu ainda não sei muita coisa. Uma das poucas que aprendi, é que manga com leite não mata ninguém.
Quanto a Watchmen, é algo realmente envolvente, abrangente, que te remete a reflexão de nossa insignificância quando você conhece o Dr. Manhatann. Isso sem falar no trabalho psicológico desenvolvido sobre cada personagem. Em algum momento você se identifica com algum dos tipos criados pela mente indefectível de Alan Moore.
Há ainda as questões como a falibilidade, falta de caráter e os meios paradoxais para se atingir um fim.
O sarcasmo de Moore, é também algo que te faz rir, desde que se tenha pelo menos uma noção das referências que ele aborda no texto.
Não vou falar sobre a história em si, espero que quem tenha oportunidade de ler, leia sem presa, observe os detalhes de cada quadro. Você vai perceber que em determinados momentos a câmera de Gibbons passeia de uma maneira que muitos diretores de cinema jamais teriam talento para, ao menos, colar do cara.
Esse texto vem com anos de atraso. Mas depois de reler novamente a série, eu precisava escrever algo sobre ela.
Talvez alguns não concordem comigo. Isso é normal. Devem achar que quadrinhos é coisa de imbecis, imaturos e nerds. Mas eu prefiro ser visto assim a ser considerado fã de Paulo Coelho, ou de qualquer autor de livros de auto-ajuda. Que na verdade só ajudam a aumentar e difundir o egoísmo no mundo. Você é capaz! Você é o vencedor! Você pode! O resto é tudo incompetente e imbecil.
Pelo menos em Watchmen todos mostram suas facetas e personalidades atormentadas, mesmo que pairem sobre eles a pecha de heróis.
Parece que pretendem fazer um filme sobre a história. Com certeza não conseguiram passar nem um quinto do que a obra propõe. Mas é isso. Cinema moderno é pra divertir, não para fazer pensar.
Mas antes de comprarem a pipoca e os refrigerantes para ver o filme, leiam a história. O impacto da decepção será bem menor.

O colorido é o Rorschach, meu personagem favorito da saga.
enviada por Marvalsc
10/10/2006 18:19
Futuro? Que futuro!
Talvez seja um desses um desses períodos obscuros pelo quais a humanidade eventualmente passa. Talvez o apocalipse esteja próximo. Ou, talvez seja apenas o indício de que o fim da espécie humana esteja a passos galopantes. Essa foi a visão que eu tive na noite de domingo assistindo ao debate da band. Azar o meu! que não tenho tv paga.
Foi muito engraçado o Boca de velha Alckmin e o Luiz Desse mais uma Lula da Silva se acusarem como se fossem bastiões da moral e bons costumes. Um não sabe que a mulher recebe 400 vestidos de grátis. Já o messias não explica a ascensão financeira do filho. Ambos não (nunca) sabem de nada.
Belo futuro para o país do passado. É verdade. Hoje o vislumbramento do futuro é o passado do país. O futuro já passou, ou melhor, passaram por nós. Que diga a Índia, onde as pessoas cagam no meio da rua sem a menor cerimônia. Coisa que os chineses também faziam há menos de 50 anos. Mas pelo menos eram em cagadouros coletivos e públicos. Grandes merdas, literalmente. Agora apontam o século 21 como potencias econômicas e cientificas.
Tudo bem que por aqui as pessoas não fazem cocô na rua. Em compensação os restos mortais de bosta praticamente fazem parte da família de 60% da população brasileira. Esse é o indicie de pessoas que não dispõe de saneamento básico nesse país.
Já mandamos um brasileiro para o espaço. Somos lideres de exploração de petróleo em águas profundas; donos das maiores reservas de água doce do planeta; um dos maiores em potencial de pesca, vide o mapa com o nosso litoral; potencial agrícola indiscutível, mas e daí?
Há pessoas que não sabem assinar o próprio nome. Gente que sequer existe como cidadão. Gente que é vitima de trabalho escravo. Gente que é vendida para fora do país como reles mercadoria. Esse é o Brasil que eu vejo.
Para a maioria é mais fácil acreditar no que a TV mostra. Se preocupar com os dramas das Helenas do Manoel Carlos é mais interessante do que os problemas ao seu redor.
E o mengão? Cai ou não cai? Isso é o que interessa para a massa gente boa desse país.
Essa característica peculiar ao brasileiro é o que torna vulnerável as manipulações de boa parte dos políticos, artistas, médicos, advogados, jornalistas, sindicalistas, professores, policiais, etc, que entram na vida pública. Geralmente por serem incompetentes na primeira escolha profissional, destacam-se vigorosamente na arte de enriquecer na segunda. Isso sem que eles tenham sequer uma noção do que é uma carteira de trabalho, ou oito horas de trabalho diários.
Estou descrente em tudo. Essa é a grande verdade. Mas vou estar lá na seção 112 no dia 29. Desta vez com meu nariz de palhaço e peruca idem. É assim que me sinto, mas ainda não desisti.

enviada por Marvalsc
28/09/2006 12:53
Shyamalan é o cara
Existem poucos filmes que me deixam com uma sensação boa depois que começam a aparecer os créditos. O filme a Dama da água de Shyamalan (pronuncia-se SHAH-ma-lawn) conseguiu isso. Nem mesmo a chuva que caiu assim que pisei fora do cinema me incomodou, pelo contrário fiquei olhando meu óculos molhar e embaçar, tentando olhar o céu. Fui rindo sozinho para a parada de ônibus.
M. Night Shyamalan é um diretor com um diferencial extremo comparado aos demais fazedores de blockbuster. Ele faz cinema. Faz com simplicidade, com criatividade, com talento e brincando com quem vai assistir seus filmes. Talvez seja isso que deixe os críticos e produtores putos.
Quando estreou, Sinais foi tratado a pão e água pela crítica por mostrar um ETs toscos e nenhuma navezinha para satisfação de quem esperava uma invasão alienígena com raios lasers e explosões a toda hora. Fracassou em crítica e bilheteria.
Minha visão sobre críticos, de qualquer área, é a seguinte: Quer julgar o trabalho alheio? Faz uma obra-prima pra te embasar!. Ou como criticar um filme só porque eu assisto um monte de filmes ou freqüentei um curso de cinema? Quem sabe ainda criticar um autor devido ao fato de ter lido uma catatau de livros.
Adolfo Bloch deu um dia uma resposta considerada irascível e sarcástica a um funcionário que comentava as fotos premiadas de alguns fotógrafos da falecida Manchete.
O senhor tem que ver o equipamento deles, última geração, top de linha. Adolfo respondeu:
- Ah, é? A foto é boa por causa do equipamento? Tirou do bolso sua caneta Montblanc e atirou:
- Pega! Me escreve um best-seller.
Assim eu analiso os críticos em geral. Quer melhor? Faz melhor, desgraçado.
A Dama do lago é uma simples fábula. Mas que desperta um sentimento de esperança, de fé, de um lado positivo das coisas. Não vou contar nada sobre o filme. Digo apenas que assistam. Vão ao Moviecon e dêem um sorriso para a atendente e pague meia-entrada. E saiam com o espírito leve e com esperanças de coisas boas ainda podem acontecer nesse mundo.
Paul Giamatti e a beleza estranha de Bryce Dallas Howard
enviada por Marvalsc
26/09/2006 14:06
Enterrem meus pés na curva da Júlio César
Acabou! Acabou! É tetra! É tetra!
Eis que se encerra a feira do livro 2006. As portas do pipiral foram lacradas, e o barqueiro fez inúmeras viagens para levar de volta os tantos freqüentadores que aproveitaram o fato de Cérbero permanecer preso, facilitando a fuga em massa do inferno.
As pernas tremiam, a cabeça doía e os olhos teimavam em fechar-se dada a falta de sono, mas tudo valeu a pena. Em dez dias a Caverna do Gibi ficou mais conhecida que puta de interior. Ao ponto do Caverna dizer em uma entrevista que estava mais famoso que a Coca-cola e Jesus Cristo.
Forram momentos de tensão e tesão (cada coisa linda que aparecia por lá...), moleques querendo roubar as mercadorias, espionagem industrial, adolescentes tarados por quadrinhos adultos, doidos, malucos, esquizofrênicos, psicopatas, sociopatas, apareceu de tudo no stand. Isso tudo com direito a me vestir de Darth Vader capuchinho. Muitas crianças não terão uma infância normal depois daquela noite de domingo.
Em breve teremos fotos no blog sobre tudo que aconteceu por lá. Desde a visita de Luiz Fernado Verríssimo a loja. Isso quase me levou a morte por me engasgar com o biscoito ao vê-lo entrando no stand.
Ao fim das contas valeu a pena por toda a farra, brincadeiras e zoações durante uma média de doze horas por dia. Caverna, o Christian, Vivi, Jorge e Renato valeu por tudo.
Ano que vem tem mais.
enviada por Marvalsc
25/08/2006 21:42
Do mito da Caverna a Plutão?
Eu voltei...agora pra ficar...porque aqui... aqui é o meu lugar...
Eis que depois de dois meses sem postar nada nesta josta, estou de volta.
Putz! Desde a decadência do império romano não se via tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Estive, durante o mês de férias, trabalhando na loja do casal Kavelma. Agora eu entendo porque larguei administração. Se uma loja de pequeno porte deixa a gente meio doido, eu imagino como são loucas as pessoas que lidam e administram grandes empresas. Mas ao fim das contas da para se divertir um bocado naquele lugar. E de quebra ver filmes, ouvir música e ler quadrinhos de primeira.
Para quem não conhece a Caverna do Gibi, trata-se de um local que ainda vai ser tema de um livro de Stephen Hawk. Acredito que é o local perfeito para ele comprovar a existência de buracos negros, outras dimensões e até vida extraterrena (O Cacá é um alien, eu tenho certeza). Aparece de tudo ali.
Corre o boato que um dos episódios de Poeira das Estrelas, do Fantástico, vai ser feito por lá.
Em quase dois anos de atividades a loja passou a ser monitorada pela CIA, devido as teses de revoluções anarquista-social-punk-pró-palestina-de-esquerda defendidas pelos freqüentadores ao som de bandas malucas e estranhas levadas pelo Jair (futuro tema de um texto existencialista-cristão). Apesar de eu acreditar que ele é agente federal infiltrado entre os malucos.
Infelizmente nenhuma das teses foi posta a prova porque a loja sempre fecha antes começarem as ações de campo. Acaba todo mundo indo para casa e volta no outro dia para continuar os debates.
A Caverna é o local perfeito para um fim de tarde nessa cidade sem nada. É um pedaço de pensamento vivo e criativo nesta cidadezinha de Merlin. Possivelmente a grande mudança deverá ocorrer durante a Feira do Livro 2006, quando muita gente irá conhecer o espaço. Aquilo não vai caber de tanto doido.
Agora que finalmente falei da Caverna do Gibi neste blog, eu estou posso dizer que estou preocupado com a situação de Plutão.
O que vai acontecer com meu horóscopo daqui para frente? Se Xena virou planeta, Hércules pode virar um cometa, uma estrela? Minha mãe assiste Hércules toda tarde na Record e não se conforma até agora com essa decisão.
Ceres e Caronte planetas-anões?! Até um dia desses eram asteróides. Como fica a decoreba dos nove planetas que eu recitava nas aulas de geografia do NPI? E o rebaixamento de Plutão, foi no tapetão ou é politicagem da CBF?
Eu fiquei impressionado com a reação dos astrólogos: Isso não muda nada! Disse um deles no jornal da Band. Claro. Como é que vai se explicar para as pessoas que mais dois planetas não afetariam o fato de sua Lua ser em Escorpião e seu ascendente ser em Câncer (isso principalmente para quem fuma).
Já disseram até que Plutão é uma espécie de Remo do sistema solar, volta e meia se vê ameaçado de rebaixamento. Sacanagem com o Leão. Mas se for assim Plutão vai disputar a segundona espacial e volta pra primeira com o projeto Tóquio 2009. Quem viver verá, menos o Steve Wonder.
enviada por Marvalsc
30/06/2006 20:36
Olá, estou de volta depois de tanto tempo...
Tempo, relatividade...qual o tempo de minha real-atividade?
Quanto menos eu faço nada, menos eu consigo fazer as coisas que desejo.
Estou a caminho de me tornar uma lesma reumática e com cãimbras pernitentes.
Mas em compesação estou de volta aos meus velhos amigos: o libertário Maquiavel, o lúdico Dante, e o divertido Dotó.
Estou de volta!
enviada por Marvalsc
13/04/2006 21:15
D de Decepção
Uma das armas de contraposição a ditadura da estética moderna é a frase: O importante é a beleza interior. Mas a verdade é que em certos casos esse argumento é tão inoperante quanto um rato treinar vale-tudo para enfrentar um elefante numa luta corpo a corpo. Como dizer essa frase diante de Natalie Portman?
Sim. Eu fui assitir (em bando) V de Vingança. Um massacre a obra de Alan Moore feita pelas mãos dos irmãos Wachowski. Ninguém se surpreendeu, pois já assistimos o fim da trilogia Matrix. Mas o importante disso tudo é Natalie Portman.
O filme em si é uma diversão para quem gosta de explossões e porradas mil. Vai dar uma ótima Tela-quente daqui uns dois anos. A cena de luta com facas está devidamente gravada na minha mente (valeu o ingresso). A morte de um dos soldados se tornou um sonho de consumo para este amante das lâminas. Três golpes, em pontos fatais, antes do cara cair no chão. Maravilhoso.
Voltando ao ponto principal, houve uma tentativa frustada de enfeiar a jovem atriz. Nem mesmo careca, com olheiras e chorando é possível dissociá-la do significado de uma palavra: Bela.
A atriz possui bem mais do que a beleza como atributos. Ela é formada em psicologia, por Harvard. Fala fluentemente o inglês e o hebraico, além de alemão, francês, japonês e um pouco de espanhol. E pensar que lembro ainda de O Profissional, onde ela apareceu contracenando com Danny Aiello e Jean Reno. Aquela garotinha prometia uma longa carreira.
Ainda de brinde ela aparece vestida de menininha na tela. Um deslumbre para os mais fetichistas. Para mim Closer é bem mais interessante. Só lamento que ela tenha feito parte deste arremedo de levar as telas V de Vingança. Alan Moore estava certo em retirar o nome dele dos créditos do filme. Leiam os quadrinhos. É muito melhor.

enviada por Marvalsc
25/03/2006 04:15
Soluções fantásticas
Antes de qualquer coisa, saibam que este texto está sendo escrito por uma pessoa bêbada. Mas não sou o único neste espaço. Além de mim estão porres mais duas pessoas. É resultado de 11 cervejas na corrente sanguínea de três pessoas.
O que queria escrever é sobre a tal Lei Seca que se estabeleceu na Macondo do Norte brasileiro. Na verdade é o resultado da incompetência administrativa de um governo que mantêm o Pará como um dos mais atrasados em desenvolvimento social e econômico. Um Estado campeão de casos de hanseníase (doença medieval), do trabalho escravo (abolição já foi assinada há mais de 100 anos) e da violência no campo.
A insegurança publica é reinante no Pará. Mas se você fosse incapaz de gerenciar um Estado que é maior que muitos países, o que você faria? Tentaria uma solução, ou admitiria sua própria incompetência? Aqui o governo não teve nem um pudor em admitir: Somos incompetentes.
Aqui os diretores e nomes de peso da Segurança Pública andam a bordo de pick ups importadas, comparadas com o dinheiro da mãe Joana (ou público). Mas pergunte se as viaturas de muitas cidades do interior do Estado possuem sequer gasolina para fazer a ronda em dois quarteirões. Nem merda.
Estamos em ano de eleição. E é sabido, até mesmo pelas baratas de esgoto, que números são uma das melhores armas para impressionar os palhaços (eleitores). Então seria preciso que mostrássemos para a população, estatísticas que impressionam e revelem a competência de um governo. Mas como fazer isso?
Segundo alguns estudos 23% dos acidentes de transito são causados por pessoas que ingeriram algum tipo de bebida alcoólica. Se você pensar bem, isso significa que os outros 77% são ocasionados por pessoas que bebem água ou leite desnatado, por exemplo. Esse deve ser o pensamento que impera entre os asseclas do cara de preguiça.
É verdade que a maioria dos crimes registrados durante as madrugadas estão relacionadas a ingestão de bebida alcoólica. Agressões, violência domestica, discussões e outros agravantes são os mais registrados durantes as noites de Mango City. Mas, fechar bares e restaurantes (não todos é claro) seria a solução para os problemas econômicos, sociais que levam muitas pessoas afogarem suas frustrações num copo de cerva? Para o governo tucano, sim.
Pouco importa se muitos estabelecimentos terão prejuízos. Se muitas pessoas perderam seus empregos. O importante é maquiar a realidade perante o eleitorado.
Não duvidem que dentro de algumas semanas sejam revelados números como a redução de casos de crimes violentos durantes as madrugadas. Os mais incautos (ou ignorantes) pensaram que a medida do governo foi sábia. Fecha-se os bares e acabam as farras e os casos de embriagues causadoras de toda a desgraça urbana.
Mas é preciso que na mesma proporção fiquemos atentos para saber se no mesmo período foram gerados novos empregos no Estado; se a reforma agrária avançou; se a saúde pública elevou o padrão de atendimento; se nossas estradas melhoram suas péssimas condições. Isso dificilmente sofrerá alguma mudança.
A polícia está atuante na fiscalização do cumprimento da Lei, de uma forma tal que não se via no patrulhamento noturno da cidade. Mas duvido que alguns dos policiais se atreve a fiscalizar a Estação das Docas, Boteco das Onze ou os restaurantes do Mangal das Garças. É a velha máxima que a Lei é para todos, dependendo do poder político e financeiro de quem se submetera a essa mesma Lei.
Eu só lembro agora do filme Patch Adams, onde um paciente com deficiência mental tem o habito de manter o braço direito erguido. Como não conseguem resolver o problema os Çabios médicos acham uma solução plausível: Cortam o braço do infeliz. A situação não é diferente nessa questão. É a estupidez, a preguiça, a incompetência se sobrepondo a realidade.
Em outubro é mês de eleição. Em outubro haverá o dia da vingança. E eu vou procurar a birosca mais próxima para ver o resultado dessa presepada travestida de moralismo e competência.
enviada por Marvalsc
13/03/2006 21:50
The End
Há momentos na vida em que você se vê diante de uma decisão que vai mudar radicalmente o seu destino. Há quase dois anos eu espero pelas palavras definitivas de uma figura que está do outro lado do mundo. Há quase dois anos fechei meu coração a espera da mulher que ainda amo. Há poucos minutos atrás eu recebi um telefonema que me fará mudar completamente daqui pra frente.
Há mais decepção na minha vida no que em toda a história da mansão de Hugh Hefner. A infância de Oliver Twist é uma Disneylândia perto da minha vida pessoal.
Durante os últimos seis meses, pelo menos uma vez por semana, eu recebia um e-mail que mantinha as minhas esperanças vivas. Mas a verdade é que lá no fundo eu sei que não devia esperar nada. Eu tenho de ir embora desta merda de país.
Dizem que um amor só se cura com outro. Não acredito nessa merda! Foda-se!
Sim! Esse não é um texto divertido. É o retrato da primeira merda de 2006. Eu esperava que o mês de junho fosse um divisor de águas na minha vida. Afinal, seria o mês da vinda definitiva de alguém muito especial e, consequentemente, seria minha redenção no quesito amor-sincero-que-vale-a-pena-e-para-vida-toda.
Mas o que é o amor perto de uma proposta de U$10 mil e benefícios? Porra nenhuma.
Claro que o telefonema vem acompanhado de mesma lenga lenga de sempre:
- Eu só preciso de mais um ano. Terei o suficiente para comprar a área que preciso.
- Espero que vc seja muito feliz como a nova proprietária do Estado de Alagoas.
- Não brinca. Estou falando sério. Quero que vc entenda...
- Entender?! Entender?! Eu estou tentando entender a minha escolha há mais de dois anos
- Eu sei que havia prometido...
- Deu.
- O quê?
- Deu.
- Como assim, deu?
- Acabou. Pra mim chega.
- Vc está terminando tudo?
- Nós nem começamos, pra dizer a verdade.
Acho que é preciso coragem para dizer adeus a quem possui todas as qualidades para completar sua existência. Mas eu não quero mais isso. Não posso mais viver em função de uma ilusão.
Diabos! Por quanta vezes eu tive a oportunidade de me envolver com mulheres (eu disse mulheres, não garotas) tão legais. Mas, não. Eu não queria iludir ninguém porque eu tinha um compromisso com outra pessoa. Eu sou uma besta.
Acho que essa foi mais uma decisão que me leva cada vez mais para longe daqui. Talvez seja isso mesmo. O projeto Madri 2007 segue firme.
enviada por Marvalsc
06/02/2006 22:58
In my life
Há dias em que você acorda e sente que as coisas estão diferentes, que elas mudaram. Hoje eu acordei com a chuva forte lá fora. Voltei para casa e sentei a chuva molhar meu corpo. Eu estou vivo.
Hoje mais um ano de vida se completa. Mais uma vez a solidão da alma se fez presente. Mas não há tristeza, longe disso. A solidão sempre foi a mais constante das minhas companhias, e soube fazer dela a mais leal e verdadeira amiga. Foi ela que me apresentou os livros, a música e me fez desenvolver o meu famoso laconismo. Fez-me aprender a observar as pessoas, e saber em cinco minutos se elas valem a pena ou não, se merecem confiança ou se tratam apenas de chatos querendo ser legais. Eu nunca me engano sobre as pessoas.
Foram quase quatro horas relembrando muitas coisas de anos passados. Pouca gente consegue ficar imóvel, olhando para o teto e relembrando os bons e maus momentos de 34 anos que se passaram. O saldo foi positivo, apesar de tudo. A vida é mais cheia de riquezas do que dogmas e normas estabelecidas pela sociedade moderna.
A vida vale a pena quando uma bela figura dança ao som de Samba Pa Ti, do Santana; quando alguém muito especial liga para te desejar tudo de bom, mesmo estando há milhares de quilômetros de distância; quando você pode tomar um toddy quente com pizza no café da manhã; quando se pode ir dormir junto com uma bela figura e acordar ainda abraçados. Tudo isso vale a pena e dá vontade de viver pelo menos mais outros 34 anos.
Obrigado pelos peixes e todo o resto.
Em minha vida
Há lugares dos quais vou me lembrar
por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado
Alguns para sempre, e não para melhor
Alguns se foram e outros permanecem
Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos, dos quais ainda posso me lembrar
Alguns estão mortos e outros estão vivendo
Em minha vida, já amei todos eles
Mas de todos esses amigos e amores
Não há ninguém que se compare a você
E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso em amor como uma coisa nova
Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais a você.
enviada por Marvalsc
11/01/2006 22:07
Galinhas e pedreiros
O ano começa como terminou 2005: a casa só poeira; virei mestre-de-obras e cozinheiro de dois pedreiros, desempregado e ainda tenho de ser office-boy da minha mãe. Mas, eu estou gostando desta fase, acreditem.
O mais louco é que eu estou sem assistir televisão há quase um mês. Em compensação estou lendo três livros e passei as duas últimas semanas estudando feito um louco para o concurso. O resultado disso é que por vezes me senti o Tom, num episódio em que o Jerry suja a casa toda, e ele fica feito um louco tentando fazer tudo ao mesmo tempo: lavar, passar, enxugar e dar brilho. Era mais ou menos assim que eu estava. Tinha de fazer comida, lavar a roupa, estudar, dar pipoca aos macacos e ficar trocando os cds do som. Acho que foi música e o Marlowe que me mantiveram são esse período.
Eu percebi que estava a beira de um surto psicótico (o meu psicólogo sabe que eu tenho inclinação a psicopatia), quando estava comprando um daqueles frangos fantasticamente dourados e suculentos de padaria, no caso um supermercado.
A verdade é por mais que você tente, não se consegue reproduzir com exatidão receitas de rua: frango de padaria, cachorro-quente, coxinhas, etc. E eu tenho uma predileção especial pelas galinhas bailarinas (sem essa de frango, pra mim são galinhas e pronto). Bem, é assim que eu decidi chamá-las. Estava eu a espera da minha eleita e aguardava juntamente com outras pessoas o coreógrafo das dançarinas. Eu explico. Eu esperava o momento de abrirem os fornos onde eu percebi que se passava o espetáculo silencioso.
A música de Wagner veio quase que naturalmente e imaginei uma: Ride of the chickens. As, outrora penosas, galinhas vinham surgindo de dentro no forno numa coreografia silenciosa, nuas. O movimento repetido exaustivamente fazia com que elas suassem em bicas. E, ao fim da apresentação, além de estarem no ponto, estavam elegantes e com o peito ofegante pelo esforço.
Uma delas foi levada para casa e morreu destroçada por dois pedreiros famintos e um doente, que passou quinze minutos assobiando A Marcha das Valkírias e olhando desfocadamente para dezenas de frangos que rodopiavam infinitamente dentro de um forno elétrico.
Viva o ano novo! Eu continuo doido!

enviada por Marvalsc
01/01/2006 21:12
Acabou... Com a graça de Deus acabou...
Houve coisas boas, não hei de negar. Mas, no geral, o ano de 2005 deve ficar na gaveta dos anos ímpares. Essa é aquela que você guarda as coisas que não gosta, porém não tem coragem de jogar fora, nem há como.
Das coisas que passaram, há maioria foi de perdas e partidas. Dois de meus melhores amigos se foram para longe. Acho que é esse o sinal de deixar o lado Neal Cassady e procurar um rumo definitivo. De qualquer forma em 2007 sigo para a Espanha, como prometi a minha melhor e mais especial amiga. Estou cansado dessa cidade, essa é a verdade.
Descobri que nasci na época errada. Devia ter lido On the Road quando foi lançado, faria mais sentido curtir literatura e jazz tomando todas e vivendo intensamente. O diabo é que os caras entenderam errado e surgiram os hippies... que merlin. O Kerouac também achou uma merda e resolveu ficar longe daquela baboseira de paz e amor. Eu com certeza faria o mesmo.
Bem já decide que preciso partir e encontrar o que preciso para dar razão a uma vida sem sentido.
Happy new year.....
enviada por Marvalsc
13/11/2005 01:33
Inferno Astral
Às vezes me impressiona como a vida é feita de ciclos. Existem períodos em que se chega a uma encruzilhada da qual não dá para fugir. E você deve escolher um caminho. Minha hora chegou. Eu preciso traçar minha caminhada definitiva.
Em menos de três semanas fui afastado do emprego; minha mãe foi parar num C.T.I.; meu melhor amigo foi embora de Belém e a única figura que desperta alguma coisa positiva tem medo que eu a magoe. Resumindo estou vivendo um chamado inferno astral.
Para piorar minha situação a minha fama de safado já ultrapassou o plano material. Uma mensageira teve bela idéia de dizer na frente de várias pessoas que eu era grande, mas ela dava conta, porque esse é quente. A vontade de se enterrar numa hora dessas é pouco menor que o oceano Pacífico.
Na atual conjuntura se eu resolvesse comprar um circo, provavelmente o palhaço entraria em depressão e os anões começariam a crescer. Este está sendo um ano daqueles. Os com finais ímpares são sempre desgraçados...
enviada por Marvalsc
27/10/2005 17:23
o Iluminado
Há algo de muito estranho quando pessoas dizem que você é uma pessoa iluminada, cheia de luz , que sua estrela foi feita para brilhar. A verdade é que você acaba se sentindo uma subsidiária de energia elétrica, mas sem os lucros compatíveis.
Estranho, ou não, eu sinto que o que me foi dito recentemente (crianças, Shakes tem razão: Há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia) caminha para se concretizar.
Não é segredo para ninguém que me conhece que aguardo há mais de um ano o concurso para o Banco Central. Está semana tive uma conversa com...é...é...bem...com alguma coisa além da minha compreensão. O problema é que foi uma pessoa muito próxima que me apresentou o mensageiro.
As vezes eu duvido de muitas coisas. Sou péssimo. Com uma ressalva: eu acredito em alienígenas. Minha família convive com uma espécie de Nibbler de 1,82 de altura há quase 25 anos. No momento ela abduziu o próprio namorado e prepara a substituição dele por um clone desenvolvido no laboratório espacial.
Mas em outros momentos meu ceticismo vai junto com minha sobriedade. O que torna certas experiências bem marcantes. O problema é que eu não estava bêbado, estava alegre, animado, sacaram? E depois de oito latinhas de Kaiser é o que acontece.
Na verdade é que sou da política dos filósofos gregos: Não há verdades absolutas! Partindo desta premissa, não há motivos de duvidar de certas coisas, por mais absurdas que elas nos possam parecer. É mais ou menos como se o mouse do pc, aqui do meu lado, de repente pulasse e gritasse comigo: Vai cutucar a tua mãe! Pensa que isso não enche o saco?! Clic, clic, clic, nas minhas costas, miserável! Provavelmente minha reação seria pedi-lhe desculpas.
Pois bem, resumindo a razão das divagações é que um mensageiro me disse que as mudanças estão próximas. Que aquilo que eu busco eu conseguirei. Fiquei com isto na cabeça, e quando abro o jornal hoje pela manhã está lá: Banco Central divulga edital no dia 25. Lindo. Uma das notícias mais belas do ano. Merecia o Prêmio Esso de jornalismo.
Isso dois dias depois da tal conversa com o mensageiro. Coincidência? Talvez. A imagem da Santa cair na hora que cheguei em frente de casa, coincidência? Maybe. Seja lá o que for, deve acontecer da maneira que deve acontecer.
Está tudo tão escuro....está frio...quem me chama? Chapeleiro Louco é você?! A luz? Sim eu irei para a luz Gandalf... E os Lumpa-lumpa irão com a gente? Alguém pode me dar um tapa na cara?

enviada por Marvalsc
29/09/2005 15:19
Júlio Cézar e o álcool
Há algo de errado quando você começa a fugir e inventar desculpas mirabolantes para não encontrar uma pessoa. A gente vai se ver hoje?, pergunta a jovem do outro lado da linha. A resposta custa uma fração de segundos, e nem mesmo os testes positivos de QI são capazes de evitar uma desculpa para lá de non sense. Estou levando um porquinho-da-índia para o veterinário...ele...ele...ele está em coma alcóolico.
Eu sei, é péssimo! Mas o que podia fazer, essas coisas são inerentes a minha pessoa. Assim como não tenho paciência para perguntas óbvias (não livro nem a cara da minha tia), tenho problema em dar respostas mais complexas e merecedoras de crédito por quem me interpela. O engraçado é que o porquinho-da-índia sempre vem atrelado a resposta.
Um dia desses a alienígena me ligou perguntou aonde estava e o quê fazia. Na hora respondi: estou fazendo a dança da chuva com dois porquinhos-da-índia, um lilás e outro azul turquesa. Claro que a primeira reação é o riso das pessoas. O que já ameniza o problema e me dá tempo para elaborar a continuidade da estória a ser inventada.
Voltando a tal figura esperei ela parar de rir, enquanto todo o enredo se formava na minha cabeça. Foi preciso quase dois minutos de espera. Ela teve a sensatez de desligar o celular até reassumir o auto controle. Ligou de novo e ainda ria perguntando como isso havia acontecido (Ela acreditou!!!!!!!). Esse é o sinal para dar início a história do Júlio Cézar, o porquinho-da-índia alcoólotra.
Deus me perdoe, mas proferi falso testemunho do animal de estimação de uma amiga. Contei como aos três meses de idade o bichinho foi apresentado a cerveja numa manhã de Domingo em família. Algum espírito de porco teria colocado a bebida no pratinho da gaiola do animal, e ele não se fez de rogado, sorveu a cerva e desenvolveu especial predileção pela Antártica. O porquinho sabia das coisas.
Contei que a diversão da família era embebedar o bichinho e vê-lo correr cambaleando pela sala do apartamento batendo ou esbarrando nos móveis. Eles também já calibrados rolavam de rir da situação.
O problema é que a figura do outro lado da linha é como eu, visualiza as coisas que lhe são ditas. O riso contido se transformou em gargalhadas estrondosas e a ligação foi cortada novamente.
Ela liga de novo e implora para que eu pare, pois sente dores no abdômen de tanto rir. Resolvi encurtar o relato e contar o episódio do coma alcóolico. Contei-lhe que no final da tarde de ontem, o pai da Camille teria deixado um copo com whiskey em cima de uma escrivaninha, e a Camille estava com o Júlio Cézar no colo. Ela deixou o bichinho em cima da tal escrivaninha, na hora em que eu toquei a campainha.
Júlio Cézar tinha um grande noção dos risco da alturas elevadas e resolveu se dirigir para o centro da mesa. Quando, na minha avaliação, possivelmente teria farejado o copo de bebida, reconhecendo a presença de álcool no recipiente. Como já estava acostumado debruçou-se sobre o copo com Red Label e gelo e enfiou a língua na bebida. Os riso virou gargalhada de novo e a ligação foi cortada.
Retornou para saber o fim a estória. Prossegui contando que ao chegarmos ao escritório Júlio Cézar estava caído ao lado do copo. A conclusão e pelo cheiro de whiskey no bicho que ele havia bebido, e como não estava acostumado com os destilados passara da conta.
Foi por essa razão que não poderia vê-la na noite de ontem, pois estava numa clínica veterinária esperando o atendimento do Júlio Cézar. Provavelmente deveria estar recebendo glicose, ou uma dose de café forte, quem sabe ainda meia dose de engov para evitar maiores problemas quando voltasse para a gaiola.
Eu sei, vocês me acham um maluco. Mas o pior é que a figura acreditou e não precisei deixar de ir visitar a dona do porquinho-da-índia, minha amiga Camille.
Eu preciso de tratamento assistido numa clínica psiquiátrica. O pobre do Júlio Cézar ficou com uma imagem de alcoólatra só para que eu não encontrasse com uma figura pentelha. Que Deus tenha piedade da minha alma por não cumprir o nono mandamento.

enviada por Marvalsc
05/09/2005 15:04
Brincando de Tarantino
Tem dias que você se pergunta porque tem de acordar se o sonho está tão bom e perfeito. Além do mais eu tenho o problema de sonhar diferentemente da maioria das pessoas. Eu sonho em três dimensões e sinto todas sensações físicas (frio, calor, vento, tato) do está a minha volta. As vezes nos meus braços. Ontem foi um desse sonhos perfeitos, ou melhor três sonhos diferentes, com desfechos idem.
O primeiro, que lembro com detalhes, foi o do beijo na professora gata. Inesperado, forte, e o melhor eu vivenciei, ainda que em sonho, todas as nuances daquela boca: textura macia, quente. E se deu,como não poderia deixar de ser, num desses rompantes devido a perda de autocontrole. Estes são especiais, memoráveis e inesquecíveis. O problema que esse do sonho foi muito bom, mas foi só em sonho...que lástima.
O segundo sonho foi bem mais louco. Do tipo que excede minha satisfação e libera a serotonina no meu organismo, depois de doses cavalares de adrenalina. Descobria quem era o cara que me enviou o e-mail falando que eu tinha convidado a mulher dele para sair (isso tá me deixando na onda). Ele me ligava e me convidava para uma conversa amistosa. Vou contar o sonho da forma como lembro, em cada detalhe. É um roteiro canalha, mas o sonho foi muito bom.
Cenário:
O encontro se deu num boteco com pouca iluminação, com pessoas sentadas nas mesas do lugar. Havia um cheiro de comida caseira no ar, que se misturava a fumaça, bebidas e o suor impregnado que exalava da cozinha.
A cena:
Marvalsc entra no bar e observa as mesas de relance. Pode ver um casal se derretendo em declarações mútuas de amor. Duas mesas a frente um velho bebia seu drink absorto em memórias do passado. Num dos cantos, próximo a entrada da cozinha, estava o cara desconhecido. Era ele que o preocupava. Passou ainda por dois rapazes, um negro e outro com traços latinos, que fingiam conversar animadamente. O cara era esperto. Não viera sozinho. Isso não o preocupava. Um garçon e uma mulher no caixa completavam o grupo.
Aproximou-se da mesa e cumprimentou o desconhecido com um aceno de cabeça. O cara era um sujeito magro, com a face sulcada e rugas que marcavam-lhe a fronte e os cantos dos olhos. Vestia uma camiseta preta com o logo de uma banda qualquer. O maldito fazia o estilo headbanger. Ele apontou uma cadeira. Marvalsc percebeu que o cara também não era de falar muito. Isso o fez triplicar a atenção e investigar mais atentamente o lugar. Os dois rapazes pararam de falar, o que comprova a tese de que estavam com o desconhecido.
O cara estava próximo a cozinha o que significava que ele poderia usá-la como saída numa possível fuga. Marvalsc caíra numa emboscada, mas isso não o surpreendeu. A estratégia não era nenhuma novidade.
Lembrou-se do treino de combate com facas e das noções de guerrilha urbana. Sentiu saudades de um tempo distante, quando ainda era um garoto aprendendo a se defender. Os caras eram totalmente inexperientes. Esboçou um leve sorriso, arqueando o canto direito da boca. Aquilo seria muito fácil e rápido, pensou. Sua preocupação maior era evitar que os demais fossem atingidos. Esse era seu defeito, preocupava-se com quem não estava envolvido em suas tretas.
O cara olhou para ele e percebeu que ele já havia descoberto tudo. A arma debaixo da mesa pesou em suas mãos. Um fio de suor percorreu a testa e ele acompanhou o movimento da gota. Isso o distraiu. Foi o suficiente. Quando voltou da leve distração, ouviu apenas um estampido ecoar pelo pequeno restaurante e um clarão que explodiu a sua frente como se saísse diretamente das mãos de Marvalsc. A bala o atingiu no olho direito e saiu na parte de trás do crânio levando junto um terço da massa encefálica do desconhecido. Marvalsc usava balas especiais em sua glock g-36 calibre 45.
Quase que no mesmo instante, Marvalsc girou para os dois desconhecidos atrás de si, sacando a faca do coldre sob o colete. Acertou em cheio a garganta do negro. O latino ainda tentou sacar a arma, mas antes que fizesse isso duas balas estraçalharam-lhe o coração. Tudo se passou muito rápido, como ele previa. Três mortos. Nenhum a mais nenhum a menos. Afastou-se para as sombras do restaurante e saiu pela porta da cozinha. Estava feito.
Lá fora a mulher o esperava em um carro antigo. Ela sabia que nunca mais veria o ex-amante ao ver Marvalsc sair pela porta e acender um cigarro. A imagem as vezes a assustava. Ninguém podia imaginar o perigo que aquilo representava, muito menos sobre o ódio que se transformava em atos de quase sadismo.
Ele entrou no carro, sorriu para ela, puxou a cabeça da mulher com força e beijou-a com o sua fúria típica. Ela se desmanchava nos braços dele, e se entregou completamente. A mulher sabia que dali para frente ele estaria sempre ao seu lado. O carro saiu em disparada fez uma curva e sumiu na estrada empoeirada. Do bar ainda se ouvia o trecho da música que tocou durante o encontro com o desconhecido. Nobody wants him...They just turn their heads...Nobody helps him...Now he has his revenge.
enviada por Marvalsc
02/09/2005 12:38
Eh, laiá
Eu não sei o que acontece, mas eu devo ser um para raio de doidos virtual. Semana passada um figura me manda um e-mail perguntando quanto eu cobro por um programa e se faço casal. Até conversei com a maluca pelo MSN só pra dar o preço. Quem sabe não rende um pouco mais que o jornalismo hehehehehe.
Hoje de manhã foi o de um cara me chamando de autruísta e exemplo de solidariedade (claro que não vou colocar o que ele disse exatamente), por ter convidado a namorada dele para sair junto comigo e uma outra mulher. Se a coisa estivesse nesse patamar, meu Deus...
Primeiramente não sei quem é o cara.
Segundo: muito menos a namorada dele.
Terceiro: sair com duas mulheres dá um trabalho enorme e não é algo que aconteça corriqueiramente como ir ao cinema. È preciso que o Sol esteja na quarta lua de Júpiter, que a lua esteja cheia e anteceda em 24 horas e 55 minutos a um eclipse solar. E a pessoa que convida as duas mulheres deve ter um porquinho-da-índia lilás e que dance flamenco. Aí sim, é inevitável.
Deve haver alguma coisa que atrai essas coisas para minha vida. Em plena sexta-feira, com duas especiais para entregar e pautas idiotas do dia, me aparece uma dessas. È preciso saber beber, é preciso saber beber...
PS: Falando em doidos, lembrei da tragédia na ponte ocorrida esta semana no Iraque. O cara que grita Homem bomba! no meio de uma multidão tem que ser muito espírito de porco. Segundo as primeiras investigações o nome do suspeito é Oicram Asuos. Em português algo como Márcio Sousa.
enviada por Marvalsc
28/08/2005 22:49
O fim está próximo
Caros leitores deste mísero blog,
Esta é uma carta testamento.
Bem, antes que vocês tirem conclusões precipitadas, não estou a beira da morte, muito menos pretendo tirar minha vida. A verdade é que este é sem dúvida o último ano da existência da humanidade como a conhecemos.
Antes de deixar minhas últimas palavras e destinar sabe-se lá para quem meus pertences, vou explicar a decisão de escrever este texto.
Uma das primeiras coisas que me fez ver os sinais do fim que se aproxima foi a conquista do campeonato carioca pelo Fluzão. Tempos depois morria o Papa João Paulo II. Na semana passada eu vi judeus expulsando judeus da Cisjordânia. O PT se afunda em casos de corrupção. Mas na última sexta-feira eu tive a confirmação final da proximidade do Apocalipse. A Natália está frequentando uma academia.
Talvez nem todos compreendam o que quero dizer. Como exemplo comparativo a este enusitado e pouco provável fato criado pela iguana de Marte, é o mesmo que imaginar Hitler na comemoração de um Bar Mitzvah, ou um argentino saldar o Pelé como o maior jogador de futebol da história. Compreenderam agora?
Explicado os motivos, vamos ao testamento.
Eu, Márcio Sousa Cruz, no gozo de minhas perturbações mentais, declaro estar com um sono terrível e com fome tremenda ao escrever este testamento.
À Liga dos Hamsters Libertinos, deixo meus livros do Marquês de Sade e algema com pelúcia.
A coleção de administração aplicada da FGV, vai para Leroy, um dos mais compenetrados patos de borracha que conheci.
O óculos 3D do filme A Hora do Pesadelo 6 - A Morte de Freddy, fica com o Forrester. Ele é louco por aquele troço. Tivemos boas farras juntos. Grande pato.
Meus cds devem ser vendidos, e a renda jamais deverá ser revertida para uma instituição de caridade. Deve ser consumida em grades de cerveja pelos bons amigos que me cercaram em vida. Comprem também salgadinhos Torcida de pimenta e churrasco e Pringles da lata verde. Poupem os do Sinatra, Elvis e os de jazz e blues que adoro.
Meus livros restantes devem servir de fogueira para incinerar meu corpo. Bibliotecas públicas? Mas nem a pau! Paguei cada centavo por eles. Vão arder nas chamas comigo, assim como os cds acima mencionados.
Como está explicito aí em cima, não preciso dizer nada sobre doação de órgãos.
Depois eu continuo...estou com sono. É quase 23h e tenho de acordar às 5h para viajar para a cidade de Acaralho (Acará). A semana promete...
enviada por Marvalsc
08/08/2005 20:02
Vaya con la musica, Adios
HAVANA (Reuters) - Ibrahim Ferrer, o cantor do Buena Vista Social Club, grupo que o levou de engraxate a celebridade musical mundial no final de sua vida, morreu no sábado em Havana, aos 78 anos.
Seu empresário, Daniel Florestan, informou que o cantor ganhador do Grammy, que se tornou figura conhecida com sua boina e seu bigode grisalho, voltou na quarta-feira de uma turnê européia já doente e morreu de falência múltipla de órgãos.
"Quando voltou de viagem, ele foi internado no hospital e sua condição se agravou. Ele morreu de falência múltipla de órgãos", disse Florestan.
Cantor da tradicional música cubana "son", cuja voz já foi comparada à de Nat King Cole, Ibrahim Ferrer nasceu num baile de um clube social em Santiago, Cuba, em 20 de fevereiro de 1927, quando sua mãe entrou em trabalho de parto inesperadamente. Ele começou a cantar profissionalmente aos 14 anos.
Na década de 1950, ele já era um cantor respeitado que se apresentava com bandas cubanas conhecidas, incluindo a do legendário Benny More.
Nos anos 1990, porém, seu nome já tinha sido esquecido. Para complementar a parca aposentadoria que recebia do governo comunista cubano, ele engraxava sapatos.
Ferrer foi retirado da obscuridade pelo disco premiado com o Grammy "Buena Vista Social Club", de 1997, gravado por um grupo de músicos cubanos veteranos reunidos pelo guitarrista texano Ry Cooder.
Os músicos já envelhecidos foram projetados para uma inesperada segunda carreira musical e para a fama internacional, que cresceu ainda mais com o filme homônimo dirigido em 1999 pelo cineasta alemão Wim Wenders.
Dois dos principais integrantes do grupo, o cantor Compay Segundo e o pianista Ruben Gonzalez, morreram em 2003.
Como eles, Ibrahim Ferrer iniciou uma carreira solo e lançou discos seus em 1999 e 2003, tendo conquistado mais um Grammy e dois Grammy Latinos, incluindo um em 2000, aos 72 anos de idade, na categoria melhor artista revelação.
Durante sua última turnê européia, na qual passou pelo Festival de Jazz de Montreux, a Grã-Bretanha, Holand, Áustria, França e Espanha, Ferrer cantou uma coletânea de boleros que ele estava gravando e pretendia lançar em 2006.
PS: Meu medo é que seres como Latino, Felipe Dilon, "Limpem o Parque" e afins, vivam o mesmo tempo que o Ferrer. Estes, juntos, não velem cinco minutos de talento dos 78 anos de Ibrahim Ferrer. Vaya con la musica, Adios.

enviada por Marvalsc
04/08/2005 15:33
O adeus de Nelson
Quando telefone toca depois da meia-noite, quando se está prestes a dormir, não é prenuncio de boa coisa. Fui atender quando ainda acabava de escovar os dentes, e retirar da boca o gosto de Toddy. A voz do outro lado estava aflita, rápida, nervosa. Não reconheci a voz e muito menos a pessoa se identificou quando veio a frase:
- O Nelson morreu!
A primeira reação nestas horas é quando se conhece o falecido -, Porra, o Nelson, cara...Mas como foi isso.?! O cara tava bem...falei com ele outro dia. O problema é que eu não sabia quem era Nelson, muito menos quem estava do outro lado da ligação.
- Calma aí...quem está falando, por favor?
- Sou eu, a Camile?
- Que Camile?
- Camile, irmã da Ana.
- Eu te conheço?
- Quem tá falando?
- Meu nome é Márcio. Respondi, já meio torto, porque estava com sono.
- O Márcio da banda do Barata?!
- Olha moça se eu tivesse banda provavelmente não seria com uma cara que chamam de Barata. Respondi. Por Deus, eu sou péssimo mesmo nestas horas. A mulher querendo consolo pela morte do Nelson e eu ali sacaneando com o meu sarcasmo inconveniente.
Ouvi um soluço do outro lado. Fiquei sem graça. Fiquei esperando ela bater o telefone. Ouvi a moça balbuciar o nome Nelson pelo menos umas duas vezes, antes dela voltar a falar comigo.
- Olha, me desculpa, pensei que fosse um amigo, queria falar com ele sobre a morte do Nelson.
- Quem era o Nelson, seu amigo? Perguntei já me intrometendo na história alheia.
- Bem, isso não importa agora. Me desculpa mesmo, moço. Boa Noite.
- Boa noite...
- Ah, mas já que você quer saber o Nelson era meu jabuti de estimação. Ele morreu de velhice, tadinho...
Respirei fundo, minha voz adquiriu um tom Darth Vader de falar e disse:
- Com certeza morreu feliz...
- Porque, o senhor diz isso?
- Viver num mundo miserável, ter de comer repolho e alface a vida toda e ainda e conviver com idiotas no mesmo espaço não é para qualquer um. Boa noite.
Desliguei o aparelho e fui deitar pensando num jabuti que nunca conheci e que se chamava Nelson. Que Deus o tenha, o pobre Nelson.
PS: O nome do Jabuti era pimpolho. Mas decide que na morte, o animal deveria ter mais dignidade. Provavelmente o nome original deve ter sido um dos motivos para abreviar-lhe a vida. Como é que essas coisas acontecem comigo?
enviada por Marvalsc
01/08/2005 19:05
Apesar de tantos problemas, coisas boas ainda acontecem. Recebi a promessa (eu cobro) de que irei ganhar um gatinho. Antes que me venham com insunuações maliciosas, trata-se do animal (Felis Catus), o melhor um persa branco.
Mas essa promessa me trouxe um problema. Minha decisão era chamálo de Corleone. Mas fiquei tentado a chamá-lo de Clemenza ou Solozzo, ou ainda Luca Brazi. Seja qual for será um desses.
Olha aí, ô promesseira! Vou esperar pelo dia 15, viu!
Mandem sugestões para o nome do bicho.
enviada por Marvalsc
27/07/2005 20:52
Vinhos e lágrimas
Eu fui pedido em namoro. Acreditem, ou não, mas aconteceu. Hoje a Thaisse foi me procurar no jornal para me dizer isso. E não de maneira como sonham os apaixonados.
- Seu idiota! Será que não entende que gosto de vc?! Não percebe que me dói ler sobre suas aventuras...
- Bloqueie o Losing do seu pc. Respondi convictamente.
- Imbecil! Eu to falando sério!
Ela começa a chorar. Penso em abraçá-la. Não devo. Começam os soluços, e olho para as árvores do bosque. Com certeza a vida delas é mais simples. Esvazio a mente, como acontece nessas horas. Se eu começar a pensar faço besteira.
Pessoas passam por nós. Me olham com ar de condenação. Tenho vontade de dizer que ela está com cólicas e TPM. Ela iria rir, eu sei. Não era o momento para fazer graça. Ela estava se abrindo, revelando o que sentia e eu não dizia nada. Fiquei apenas observando as árvores e ouvindo o choro que se consumiu até o silêncio. Agora eu poderia falar.
- Olha. Eu não sou o cara para vc. Há muita coisa para vc viver Thaisse...
- Sem esse papo de diferença de idade!!! Eu to de saco cheio de ouvir essa tua ladainha!
Nesse momento tenho de erguer o braço direito, como aprendi vendo o senhor Miyagi. Seria uma porrada certeira. Respiro.
- Você vai me bater?
- Tá louca?! Te bater? O que você pensa que eu sou?
- Fala o que você ta pensando, por favor...
Ela chora novamente. Começo a ficar nervoso e pensar na situação. Sei o que deveria dizer, mas não consigo. Meu silêncio é minha palavra.
- Você tem medo, não é? Você tem coragem pra tanta coisa e pra viver uma história com alguém você tem medo, é isso né?!
Cada palavra soa como um tapa na cara. A verdade revelada sem meias, mas palavras inteiras.
- Algumas pessoas nasceram para viverem sozinhas. Amar pode ser um martírio para alguns. Me contento em viver momentos. Aprendi a fazer da solidão minha melhor companhia.
Não sei de onde vêem estas palavras nessas horas. Mas foi o que disse para menina.
- Covarde! Você é um covarde, tem medo de amar de novo! Seu filho da puta!
Juro por deus que me senti um Chaninski da vida. Ela batia em mim eu não conseguia revidar. Até que eu a segurei e dei o beijo que ela queria. Se entregou. E percebi que era tudo por causa de um beijo. Acontecesse o que acontecesse ela precisava do beijo.
Ela chorou novamente e ficou abraçada por um bom tempo. Sabia no fundo que seria o último por um longo tempo.
Quinze anos sem se ver, e acaba desse jeito. Sou um otário!
Me despedi e saí para não sei onde. Agora estou na frente de um maldito computador para desabafar sobre isso. Escrever se tornou minha melhor terapia.
Ela tem razão sobre duas coisas: a primeira, eu queria bater nela.; a segunda, eu tenho medo sim. E não tenho a menor vontade de me envolver seriamente com ninguém.
Agora tudo que eu quero é terminar essas duas garrafas de vinho na casa de uma amiga. Ela me entende, não me cobra nada, me deixa ficar. E vou embora depois de chorar em seus braços. Assim a gente vive, ou melhor, nos mantemos vivos.
"Todas as misérias verdadeiras são interiores e causadas por nós mesmos. Erradamente julgamos que elas vêm de fora, mas nós é que as formamos dentro de nós, com a nossa própria substância" (Jacques Anatole France, poeta e romancista francês)
enviada por Marvalsc
22/07/2005 18:52
Vá para luz, Gordon!
Ainda ei de queimar no fogo voraz do inferno. O tempo e a s obrigações são muitas e não me permitem mais atualizar o blog como deveria. São tantas coisas em tão pouco, que chega a assustar.
Namoros que terminam sem sequer eu imaginar que começariam. Viajar para lugarzinhos que a evolução deixou de lado e se tornar rei por um dia. Dinheiro, dinheiro eu preciso de mais dinheiro.
Dizem que dinheiro não traz felicidade. Eu também concordo. Com dinheiro você manda deixar em casa!
Hoje é sexta-feira e já tem esquema. Quer coisa mais clássica que sair com colega do trabalho, antes de prestar esclarecimentos a CPI (Companheira Potencialmente Instável). Acho que vou pedir um habeas corpus antes de encontrar com a baixinha.
- O senhor admite que estava com alguém?
- Me reservo o direito de não responder esta pergunta.
Deveria ser simples assim. Mas se fizesse isso ela me atacaria com violência de uma gata selvagem...isso não é um eufemismo. Ela é agressiva mesmo. Já tive que dar um sossega leão nela. Algo do tipo: - Levantar seus 55 quilos não é problema. O problema vai ser onde eles irão cair, se você continuar me batendo. Houve um silêncio par reflexão. Ela me olhou e perguntou: - Você faria isso? ...Droga! meu Deus! Você faria sim...
Relações doidas são divertidas, mas temo que possam se tornar perigosas.
O pior é que se ela soubesse que superei meu recorde com mulheres mais novas (16 anos de diferença). Eu estou passando por alguma fase meio louca: a tal coisa do caiu na rede é peixe.
Só vai mudar se a baixinha continuar com a pressão de tornarmos a relação mais séria. Será?
enviada por Marvalsc
12/07/2005 15:10
Harvest Moon
Come a little bit closer
Hear what I have to say
Just like children sleepinâ€
We could dream this night away.
But thereâ€s a full moon risinâ€
Letâ€s go dancin†in the light
We know where the musicâ€s playinâ€
Letâ€s go out and feel the night.
Because Iâ€m still in love with you
I want to see you dance again
Because Iâ€m still in love with you
On this harvest moon.
When we were strangers
I watched you from afar
When we were lovers
I loved you with all my heart.
But now itâ€s gettin†late
And the moon is climbin†high
I want to celebrate
See it shinin†in your eye.
Because Iâ€m still in love with you
I want to see you dance again
Because Iâ€m still in love with you
On this harvest moon.
A vida é boa e tem suas compensações. Melhor do que sonhar é viver o que está perto e palpável. Pode ser que esteja errado, mas acho que vou entrar em um novo momento na minha vida. Tomara que esteja tomando a decisão certa.
enviada por Marvalsc
06/07/2005 13:06
Momentos
- Ei, preciso que você me faça um favor.
- Pagas quanto?
- É um favor, não um serviço!
- Pouco me importa. Pagou sou todo seu
- Credo...somos amigos.
- E daí? Amigos, amigos, dinheiro a parte.
- Quanto você quer?
- Não é quanto...é o que eu quero.
- Humm...sei. Lá vem o golpe.
- Um jantar, vinho e um cd do Elton John.
- Como assim?
- Santa inocência, Batman!
Risos. Ela ri. É bem divertida essa garota. Gosto dela.
- Você tá me convidando para jantar?
- Claro que não! Eu vou comer e você fica olhando. Te dou uins ossinhos, que tal?
- Pentelho!
- Idiota!
- Estúpido!
- Pateta!
Rimos. Ela me diverti, gosto disso. Ainda não sei como definir essa relação. Não é namoro, longe disso. Mas temos afinidades que não encontro facilmente: admiração mútua e carinho. Isso é bom.
enviada por Marvalsc
03/07/2005 17:05
Sunday morning
Sunday morning, rain is falling
Steal some covers, share some skin
Clouds are shrouding us in moments unforgettable
You twist to fit the mold that I am in
But things just get so crazy, living life gets hard to do
And I would gladly hit the road, get up and go if I knew
That someday it would lead me back to you
That someday it would lead me back to you
That may be all I need
In darkness she is all I see
Come and rest your bones with me
Driving slow on Sunday morning
And I never want to leave
Fingers trace your every outline
Paint a picture with my hands
Back and forth we sway like branches in a storm
Change the weather, still together when it ends
That may be all I need
In darkness she is all I see
Come and rest your bones with me
Driving slow on Sunday morning
And I never want to leave
But things just get so crazy, living life gets hard to do
Sunday morning, rain is falling and I'm calling out to you
Singing someday it'll bring me back to you
Find a way to bring myself back home to you
And you may not know
That may be all I need
In darkness she is all I see
Come and rest your bones with me
Driving slow on Sunday morning
(Maroon 5)
Válido por tempo indeterminado
enviada por Marvalsc
28/06/2005 17:42
Minha sina e trilhar os caminhos percorridos pela morte.
Ela deixa marcas indeléveis de seu rastro
Encontro apenas os corpos de palavras mortas.
Sinal que o uso inapropriado as esgotou.
Morreram sem sentido.
(Ishiar Sanurry)
enviada por Marvalsc
23/06/2005 16:23
O garotinho não resistiu, infelizmente. Mas o lado positivo é que a tv repercutiu bastante a história e a crítica a atuação dos médicos que negaram o atendimento ao bebê foi enorme.
Pena que isso não vai trazer o pequeno de volta. Mas com certeza ele está em um lugar bem melhor do que esse.
Com certeza ele teria sobrevivido se recebesse o atendimento adequado desde a primeira vez que foi levado à Santa Casa.
Espero que um das frases que eu acredito: Aqui se faz, aqui se paga, caia como uma luva para a médica que recusou atender o bebê.
Eu nunca vou esquecer a imagem daquele garotinho. O cara mais lutador eu conheci.
enviada por Marvalsc
18/06/2005 17:26
Quando nascem os guerreiros
Eu devo ser predestinado para pautas polêmicas. Fugindo dos bichos que me perseguem, ontem estive em Santa Izabel para cobrir uma briga política pela disputa de um hospital. Pauta sem graça até que na visita ao hospital um dos médicos me chamou para me mostrar um caso de um bebê prematuro. Me preparei para de ver uma criança em condições de risco de vida. Mas o que aconteceu fugiu totalmente as minhas expectativas.
Ao chegar ao berçário, vi uma das cenas que nunca mais vou esquecer. O bebê era uma coisa mínima. Pesava menos de 500 gramas e era possível ver todas as veias que cobriam o corpinho tão frágil. A pele era lisa e muito vermelha. Havia nascido 12hs antes, e encaminhado às pressas para Belém, para o hospital de referência no atendimento a criança, o Hospital da Santa Casa.
Após toda uma operação de guerra feita pelos funcionários e médicos que se mobilizaram para levar o menino para Belém, a burocracia e a falta de sensibilidade quase tiraram a vida do bebê. A médica (?) que o atendeu, recusou o atendimento alegando que a criança era um feto, e que um dos critérios da OMS para atendimento em casos de urgência é o peso, no caso de um recém-nascido o peso mínimo é de 500 gramas.
De nada adiantou a indignação do médico que fez a cesariana para salvar a criança, nem a do motorista que queria pedir demissão. O bebê foi recusado.
Levado de volta à Santa Izabel, ele passou pela segunda viagem em menos de cinco horas.
Quando vivi o bebê e a situação relatada pelo médico, dizer que fiquei puto é pouco. Esqueci completamente a outra pauta e comuniquei o jornal sobre a situação. Achem essa médica filha da puta!, foi a minha última frase para a redação.
Fiquei pertinho dele. Queria chorar de raiva, bater em alguma coisa, só de ver a situação e as condições do garotinho. Minha raiva só aumentou quando o médico disse que ele iria morrer, se não fosse colocado em um UTI neo-natal. Ele já estava há 12 horas exposto em condições adversas.
Ele mexia os pezinhos, menores que um polegar de um adulto, chorava quando o médico tocava nele. Era como se dissesse eu quero viver! Eu vou viver!.
Por sorte e ameaças constantes a secretaria de saúde, conseguiram um leito para ele no HC. O bebê enfrentou a terceira viagem em menos de 20 horas.
Ao retornar para Belém, no final da tarde, uma nota divulgada pela Santa Casa explicava a razão para a recusa no atendimento a criança. A criança não apresentava sinais vitais, e não foi feito a solicitação de leito a Central de Leitos da Sesma. Claro que havia outras explicações como leitos lotados e falta de equipamentos para atender a criança. Descobri ontem que a vida está a mercê da burocracia.
Mas nem mesmo a estupidez, insensatez e a maldita burocracia venceram a vontade de viver daquele menino sem nome. Passei o dia empenhado em saber como ele estava, em saber como estava aquele pequeno guerreiro.
Talvez ele até não consiga resistir, devido a falta de atendimento especial que deveria ter recebido desde o momento que nasceu. Mas a vida do bebê, a sua vontade, a luta e a motivação de todos em volta dele, me deu a certeza que eu conheci um lutador.
Ontem eu vi como nascem os heróis, como eles se tornam imortais. Vida longa ao menino sem nome! E morte certa aos burocratas e médicos que não entendem o sentido dessa profissão.
Eu nunca mais abandono o jornalismo. Se for para ajudar pessoas com essa profissão, que seja esse o meu caminho. Obrigado, menino. Obrigado por fazer encontrar meu destino. Que Deus esteja sempre no teu caminho.
enviada por Marvalsc
16/06/2005 18:26
Respostas cretinas para perguntas idiotas
Caso 1:
- Olá, posso ajudar?
- Você entende algo sobre a sincronismo quântico da vida de um hamster, baseado na teoria de Kant para administrar gaiolas?
- ....Como senhor?
- Você fala alemão?
- ....eh...não...mas eu posso lhe ser útil?
- Olha....Irvishing nain doitche blusardag (eu também não falo porra nenhuma, inventei isso), certo?
- ....ri ri ri....eh...me desculpe, moço, mas...vou deixar o senhor sozinho para escolher o que quiser. Se precisar, pode me chamar.
- Ok.
Descobri um nova fórmula repelente de vendedores que tentam te seguir nas lojas. Fale com sotaque, ou então em outra língua (invente uma).
É bem melhor do que ter de olhar para eles como um palestino olha para um judeu.
Caso dois:
O horário passa das 13hs. Um carro lotado de macho suado, que estão na rua desde cedo apurando os protestos sem fim de Belém.
- Cara, para ali na praça para comprar uns côcos.
- Certo.
Vem o vendedor.
- O senhor quer gelado?
Silêncio. Olho para o lado e suspiro.
- Na verdade, não. Eu ia pedir pro senhor levar até aquele rapaz que tem um microondas pro senhor esquentar o meu.
Risos sem graça e ele entende meu sarcasmo.
Eh,laiá.
enviada por Marvalsc
14/06/2005 18:22
Tan, tan...tan tan tan...Tan!
Tan, tan, tan tan tan!...Tan!
Tan, tan tan tan tan tan...
We are the champions! we are the chanpions!
Yeah! baby! yeah!
Shake, shake, shake, shake your body!!!!!!
Èéééééééééé do Brasil!!!!!!!!
Oh happy day, oh happy day
When my baby come back to me...
She come back!
She come back!
She come back!
She come back!
She come back!
She come back!
She come back!
She come back!
She come back!
Ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela virá, ela virá,ela
enviada por Marvalsc
11/06/2005 15:51
Noé as avessas
Uma das satisfações do jornalismo é o poder que a notícia possui junto à sociedade. Como o impacto do teor da mesma notícia é capaz de mobilizar órgãos estaduais e federais. São realizadas coletivas as pressas, ações, tudo depois de tentarem abafar a mazelas e os descasos que vitimam pessoas pela irresponsabilidade destes mesmos órgãos.
Foi o que aconteceu essa semana, durante uma viagem ao município de Augusto Corrêa. Um surto de raiva humana já matou pelo menos dez pessoas, sem que o resto do Estado soubesse qualquer coisa a respeito. Agora todo mundo sabe, graças ao meu trabalho e de ter uma equipe afinada para apurar denúncias de desconhecidos.
Uma simples viagem para falar sobre a proibição da pesca da lagosta no município, distante cerca de 200 quilômetros de Belém, levou a descoberta do surto de raiva. Os casos não estão acontecendo na cidade, mas sim na localidade de Araí, distante cerca de 60 quilômetros do município de Augusto Corrêa.
A primeira surpresa começou ao chegarmos a cidade. As pessoas eram baixinhas. Todas com menos de 1,60 de altura. O que me levou a crer que devia se tratar de uma espécie variante do Homo sapiens. Levem-me ao seu líder, disse a um dos baixinhos, que grunhia parecido com o Chewbacca.
Bem, tudo correu tranquilamente junto aos pescadores anões de Augusto Corrêa. Mas, na saída é que veio a surpresa. Fomos abordados por uma criatura de maior porte, e de aparência humanóide. Pra minha surpresa falava nossa língua. E, por Deus, como o desgraçado falava. Cantou feito um canário sobre o surto de raiva humana que assolava as localidades próximas.
Após comunicar o fato, para a tristeza do motorista que já tinha dirigido cerca de três horas - duas a mais não fariam diferença - fomos para o tal Araí. Mas com um motorista reclamando da atual florescência de sua hemorróida de estimação.
Depois de quase duas horas de viagem numa estrada de terra ótimo para quem precisa se livrar de um cálculo renal sem cirurgia, e claro, sem anestesia também chegamos ao lugar.
A primeira imagem me lembrou a cena do ET, quando o Elliot chega em casa, e ela esta cercada de cientistas, soldados e cheia de plástico isolante. Era agente de saúde pra tudo quanto era lado, policiais, camaleões, etc.
Um porco que ficava sentado jogando baralho com os nativos, observava calmamente a situação. Não duvidem disso, há fotos do porco.
Ao chegarmos a primeira pessoa que encontramos foi a secretária de saúde do município. Pálida, ela nos recebeu com um suspiro fúnebre de prenúncio de desemprego.
O tradicional Bom dia foi substituído por: Como vocês chegaram aqui, como ficaram sabendo disso?!. Isso é de menos, senhora, respondi. O que eu quero agora é que a senhora me conte tudo o que está acontecendo por aqui, completei. Novo suspiro, mas desta vez com teor de exoneração.
Depois de apurarmos tudo, para o desespero da tal mulher, e de completar o restante da matéria, voltamos a noite para Belém.
Para minha surpresa a secretaria de saúde do estado, cerca de três horas após estarmos em Araí, comunicou a imprensa uma coletiva para as 16hs, para falar sobre a morte de duas crianças, por suspeita de terem contraído o vírus da raiva.
Na verdade, como estivemos no local e apuramos tudo, não tinha mais como esconder o problema.
Infelizmente não publicaram a matéria no dia, teria sido um furo maior ainda. Mas, o importante é que agora estão fazendo o deveriam ter feito há mais tempo, ou seja, cuidando das pessoas atacadas, que passam de 500.
Eu acho que vou procurar emprego na National Geographic, ou no Discovery Channel, sempre ataques de animais acabam caindo na minha mão, começando uma onda de caça aos bichos. No começo do ano passado foram os caramujos, agora os morcegos, isso porque ia fazer uma matéria sobre lagostas.
Senhor, quando devo começar a construção da arca?
enviada por Marvalsc
31/05/2005 19:24
"Minha disposição é a mais pacífica.
Os meus desejos são:
uma humilde cabana com um teto de palha,
mas boa cama, boa comida,
o leite e a manteiga mais frescos,
flores em minha janela
e algumas belas árvores em frente de minha porta;
e, se Deus quiser tornar completa a minha felicidade,
me concederá a alegria de ver seis ou sete de meus inimigos enforcados nessas árvores.
Antes da morte deles, eu, tocado em meu coração,
lhes perdoarei todo o mal que em vida me fizeram.
Deve-se, é verdade, perdoar os inimigos -
mas não antes de terem sido enforcados".
(Heine)
Faço minhas as palavras do poeta.
enviada por Marvalsc
24/05/2005 20:17
AUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!
Eu estou prestes a entrar como réu num processo por pedofilia.
Se mãe da figura souber ela chama polícia na hora.
Mas, diabos! quem mandou ter uma filha tão lindinha e esperta!
A verdade é que estou há dias sem tirar a figura da cabeça. E, para ser sincero, das "duas".
Droga! isso não vai dar certo! Isso não vai dar certo!
Não pode dar certo um relacionamento com uma figura que nasceu quando vc começou transar...
Acho que estou na fase de galinhagem sem fim. O pior é que a "criança" é amiga da Thayssezinha, a minha "freela" atual.
Jesus...dai-me sabedoria, porque se me deres forças...vou gastar minha nova renda toda em motéis...
Porque eu senhor?! Eu juro que gostaria de saber, POOOOORQUEEEEEEEEE!!!!!!!!!
Consciência: - Porra nenhuma seu hijo de puta! confessa que seu ego vai nas alturas por estar pegando piralha!
- Não! eu juro que não queria isso...
Consciência: - Mentira! desde que vc a viu ficou louco por aquela boca.
- Vc viu também, né?
Consciência: - Bem...quer dizer... Não pude deixar de observar a beleza da garota e...
- Vc viu que coxas ela tem? Meu Deus, pernas de dançarina, maravilha!!
Consciência: - Realmemte são belas pernas...
- E o sorrisso? vc percebeu que ela fecha os olhinhos quando ri, hein?
Consciência: - Deveras...Não pude deixar de perceberque ela fica com um biquinho permanente, tipo Meg Rayan...
- Percebeu isso também! Vc é dos meus!!!
Consciência: - Ela é uma graça realmente...
- Viu só, não pode me condenar.
Se a Consciência aceita, o que posso eu fazer?
AAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!!!!!!
enviada por Marvalsc
21/05/2005 16:10
Atenção!
Se voçê não consegue que executem nenhum comando
simples como: ligue para número 98887899080.
- Como eu faço isso?
- Pegue o aparelho e disque os números que te dei...(1,2,3,4,,5, conte mentalmente).
- Ah, tá!
Outra situação:
- Bom dia, gotaria de falar com o dr. CAFAGFGAJA.
- Quem?
- Seu chefe..
- Meu chefe?!
- Esse nome que está na porta atras de você.
- Ah, claro, o dr. CAFAGFGAJA.
....1,,2,3,4,5,,6,7,8,,9....
Mais uma:
Vocês está com um cigarro na mão, acende com seu isqueiro, enquanto uma figura fica te olhando fazer isso. Ela se aproxima e pergunta: - Tem fogo?
- Não, na verdade sou um mutante que domina o oxigênio ao meu redor. Basta querer que posso incinerar qualquer quantidade, o suficiente para acender este cigarro.
- Puxa...é mesmo? quer dizer, você faz isso mesmo? eu acredito nos X-man.
- Eu acredito em Duendes, antas que anda sobre duas patas...
É ou não é razão para se ligar o
Ctrl-Alt-foda-se
enviada por Marvalsc
10/05/2005 21:04
De volta a luta diária das redações.
Pautas doidas, estúpidas, importantes, fundamentais, inúteis. Mas são pautas, e eu adoro.
Estou de volta ao dia dia de uma redação de verdade, e com um salário melhor do que o atual. Isso conta muito.
O melhor de tudo é a Thayssezinha, a Luana, a loura que não sei o nome, mas que tem um olhar permanente de "me joga na parede!".
Como diria Roberto, São tantas emoções!
Viva! me voy!
enviada por Marvalsc
04/05/2005 15:49
O tempo...Ah! O tempo
O tempo é uma dessas coisas mais fantásticas que passam, repassam pelas nossas vidas. Dizem que o tempo cura tudo. Mas, e se for o tempo à doença que nos corroí dia a dia? (Asas do desejo, Win Wenders). Porém ele também nos surpreende trazendo do passado algo que não tínhamos a mais remota lembrança, e que passa a modificar por completo o nosso presente.
Ontem eu estava subindo o elevador do prédio onde trabalho. Estava sozinho e ouvi uma voz pedindo para segurar a porta do elevador. Estendi o braço para barrar a porta e uma garota de seus vinte e poucos anos entrou. Era linda. Mas não fiquei encarando para não aumentar ainda mais o constrangimento que é se locomover nesse meio de transporte. Até que ouvi uma palavra que volta e meia eu ouço pela cidade.
- Leão! É você?. Disse a moreninha de olhos grandes e vivos.
Eu fiquei surpreso e perguntei se ela estava se referindo a mim. Pergunta idiota, uma vez que estávamos só nós dois no elevador. Olhei para a garota com um ar meio de incredulidade questionando de onde aquela figura poderia saber meu apelido do período cretáceo
- Você está falando comigo? - Perguntei.
- Não. É com o painel dos botões. Respondeu com um desdém medonho e uma careta. Gostei.
- Desculpa. Mas é que poucas pessoas me chamam assim. E tenho certeza que não conheço você.
- Você me conhece sim. Talvez não se lembre porque a gente não se vê há muito tempo. Acho que pelo menos uns doze ou quinze anos. Disse ela mostrando todos os 155 dentes cercados por belos lábios carnudos e vermelhos.
Esforcei-me terrivelmente para lembrar daquela figura. Até que os neurônios resolveram trabalhar. Se faziam mais de doze anos que não nos víamos, era óbvio que a conheci ainda garotinha, pois ela não aparentava mais de vinte anos. E isso com muito esforço.
- Sou a Thaisse, irmã do Pedro.
Cri...cri...cri...cri...
- Que Pedro? Perguntei para aquela carinha sorridente.
- Pedro, que treinava judô com você. Lembra?
O cérebro faz um esforço tremendo para recordar. E por um desses milagres que a ciência ainda desconhece a lembrança do Pedro se faz presente. E a da garotinha veio no pacote.
-Thaiseezinha! Era como a chamávamos É você mesmo! Meu Deus!
A incredulidade era imensa. Fiquei paralisado pela certeza que estou ficando velho. A pequena Thaisse com quem brincava sempre que voltava dos treinos, estava ali, diante de mim. Mas não restava mais nada da garotinha sardenta e cabelinho channel que conheci. Tornara-se uma mulher bonita e com um olhar. Deus! Que olhos são aqueles...
Rimos durante uns minutos até que resolvi dar-lhe um abraço e para minha surpresa ela deu um pulo como fazia na época, e se agarrou no meu pescoço. Claro que quase cai e dei com as costas na parede do elevador. Beijou meu rosto e retribui com sinceridade. Ela me abraçou bem forte. Estávamos no sétimo andar e apertei no oitavo para fazer o troço parar.
Quando saímos ainda estávamos abraçados e ela estava com os olhos marejados e deixou cair umas lágrimas. Nunca mais tinha feito isso com ninguém, disse ela com a voz cheia de saudade. Como tenho um coração mais duro que manteiga no sol do meio dia, foi eu quem começou a ficar com os olhos marejados. Ficamos nos olhando rindo. Acho que ficamos assim por uns minutos enquanto toda uma época quase esquecida era tirada de uma pasta escondida dentro do compartimento de memória. As lembranças vieram aos poucos e parecia que estávamos sintonizados, pois riamos juntos como se assistíssemos um velho mesmo filme.
As lembranças perderam a poeira, e pude recordar da mudança do Pedro para o Maranhão no ano de 90 ou 91. Nem eu mesmo tenho a certeza do ano. Mas lembrei da despedida e da irmãzinha dele que adorava ser carregada e passear nos meus ombros. No dia da viagem ela me deu um abraço, e eu lhe dei um cachorrinho de pelúcia. Deus! As memórias são terríveis...
- Nossa! Você não mudou muito. Só está mais gordo. Parece que é um mal que atinge ex-judocas. O Pedro também engordou, depois que parou de treinar. Disse a Thaissezinha.
- Você mudou bastante. Disse-lhe com um sorriso. Ela riu e ficou me encarando com um olhar que em nada lembrava a da garotinha sapeca e chorona que conheci.
- Eu te achava o máximo e sempre perguntava para o Pedro se ele tinha noticias suas. Confessou ela.
Há muito que nem me recordava o Pedro, muito menos dela. Mas não fui descortês a ponto de confessar isso. Disse apenas que na época não havia e-mail, Internet ou orkut para facilitar a comunicação à distância. Ela riu novamente e passou a mão no meu braço com carinho, concordando.
Você faz o quê por aqui? Perguntou ela. Respondi apontando para meu uniforme de jornalista. Você é jornalista? Que barato! Trabalha há muito tempo com isso? E seguiu fazendo perguntas. No que eu ia respondendo sem pestanejar.
- Você casou? Tem filhos.
- Não. Nada disso. Não é a hora.
- Porque?
- Quando encontro a pessoa certa ela vai embora. Tem sido assim nos últimos quinze anos. È um recorde que vai estar na próxima edição do Guiness Book.
- Que pena. Acho que você seria um grande pai...
- Porque você diz isso?
- Pelo jeito com que sempre brincava com os garotos do conjunto. Adorava brincar contigo. Lembra?
- Lembro sim. Sempre que chegava do treino você vinha pedir para te carregar e fazer aviãozinho com você nos braços, ou então te levar até a parada de ônibus te carregando nos ombros.
- É verdade! Eu adorava.
- Quantos anos você tinha na época, cinco, seis?
- Sete.
- Meu Deus! Então você já esta com...
- 22 anos.
- Nossa, passa tão depressa... E olha você agora
- É verdade. Ainda tenho aquele cachorrinho, sabia?
- Jura! Foi disso que lembrei agora a pouco.
- E você o que faz por aqui?
- Vim visitar uma amiga que trabalha aqui. Cheguei mês passado em Belém. Na verdade estou voltando para ficar por aqui.
- Jura! E o Pedro?
Ela me contou sobre o Pedro, a esposa dele e seus três sobrinhos que moram numa casa no interior de Santa Catarina. Está feliz, disse ela. Não sai mais dali, completou. Ficamos conversando e acabamos por almoçar junto. Trocamos telefones e prometemos nos encontrar ainda neste final de semana.
Thaisse me trouxe de volta a lembrança de um tempo muito bom que não deveria ter esquecido, apesar de tentar apagar muita coisa daquela época. Foi ai que lembrei do Yin e Yang: nem tudo é completamente mau, nem tudo é completamente escuro. Há sempre um ponto positivo em tudo.
O Tempo...Ah! O tempo... Como é bom ver passar o tempo e poder descobrir que ações tão simples marcaram a vida de uma pessoa que já nem me recordava mais. São essas coisas que valem a vida valer a pena, e ter a certeza que no meu caminho eu arranquei algumas flores, mas plantei algumas boas sementes, que cresceram e se tornaram belas árvores que dão uma boa sombra nesse caminho tortuoso que é a vida.
enviada por Marvalsc
10/04/2005 17:40
Sounds of silence
As pessoas falam demais. As pessoas falam coisas inúteis. A fala é inútil afirmam os mais radicais.
Observem que nos momentos cruciais de nossas vidas não existe necessidade de falar qualquer coisa. Agimos e pronto. Sentar a mão na cara de um miserável qualquer, por exemplo, não se necessita de uma única palavra. Em compensação gera uma gritaria terrível e barulho de coisas caindo e quebrando.
Quando nascemos basta um berro para provarmos que estamos vivos e que existe ar nos nossos pulmões - Algumas pessoas desenvolvem a capacidade de falar a cada expiração -. Daí em diante é irreversível, pelo menos para a grande maioria das pessoas. Os mudos terão um trabalho maior pela frente.
Um dos primeiros grandes desafios após o nascimento é a tal primeira palavra. Penso que deveria ser: Olhe aqui garoto! Faça algum sinal na hora que estiver a fim de ir ao banheiro. Isso facilitaria as coisas.
Pais e mães se debruçam sobre berços soletrando debilmente: M-a-m-ã-e, p-a-p-a-i. Como se isso provasse de quem o filho gosta mais. No final das contas lá pelos 13 ou 14 anos ele (ou ela), ao ter negado seu legítimo direito de voltar depois das duas da manhã para casa, vai berrar com toda a força: Eu odeio vocês!
Creio que seria mais interessante se fossem ensinados conceitos como paz, fraternidade ou solidariedade aos pequenos. Mas eles aprendem a conviver com o egoísmo e a competição já na escolha - crucial - da primeira palavra.
Pior ainda se o neném resolver dizer: pa-pai. A mãe, que o carregou durante os nove meses, sofreu horrores, comeu feito uma condenada e sentiu uma dor maior do que um flamenguista ao ver o Zico com uma camisa do Vasco, tudo isso para por o pimpolho no mundo, sente uma vontade enorme de provar carne humana pela primeira vez. De preferência crua. Por sorte isso passa, ou teríamos uma taxa de natalidade comparável ao dos pandas.
O bebê demora a falar justamente porque acha ridícula aquela situação. Testes feitos pelos cientistas siameses do sul da Bavária mostraram que os bebês nascem com um QI de 350 pontos, em média. Mas que esse percentual cai praticamente pela metade assim que resolvem dizer a primeira palavra.
Os mesmos testes asseguram que a língua ideal para apreender nessa etapa de formação do vocabulário do ser humano é a japonesa. Segundo os cientistas, isso faria com que os dois hemisférios do cérebro se desenvolvessem harmoniosamente. Afinal ler de trás pra frente, desenhar o alfabeto e ter uma idéia do que está escrito não é pra qualquer um. Basear a economia de um país aprimorando as invenções alheias também é um belo sinal de inteligência superior, garantem os cientistas.
Ao optar por uma língua banal como o inglês, principalmente o falado em Miami, somente uma parte mínima do cérebro se dedicará a essa atividade que pouco exige de sua capacidade. È injusto para um sistema de alta complexidade envolvido na administração de órgãos, sistemas, sobrevivência, aprendizado e que tenta adivinhar os números da loteria.
É mais ou menos como ter um prédio de 110 andares, com cobertura duplex, centro de fitness, piscina olímpica, quadra de tênis, espaço para eventos, internet com banda larga e TV a cabo em cada apartamento (todos com 250m²), sendo cinco por andar, três vagas na garagem, e o direito de entrar com um hamster no elevador social, tudo isso para guardar um palito de fósforo, usado.
O desuso, ou uso inadequado acaba por atrofiar um dos hemisférios do cérebro humano. O que leva a casos comprovados de pessoas que caem ao tentarem somar dois mais dois e andarem ao mesmo tempo. Esse tipo de pessoa geralmente conquista posição de destaque na mídia de muitos países. Em alguns, menos desenvolvidos, conseguem programas de televisão e enriquecem vendendo bugigangas e os mais variados produtos. Tudo porque elas falam. Falam besteira e as pessoas adoram.
Lendas antigas, difundidas em vários paises da Ásia, relatam que havia um mandamento, entre os quinze que foram dados para Moisés, que regulamentava a questão da fala: Não falarás sem necessidade.
Um pergaminho, datado do ano 412 a.Cfoi encontrado no templo do monges anões de Bangladesh. Os monges, que andavam de lado - faziam isso para evitar que pessoas batessem de frente com eles -, pregavam que eram 15 os mandamentos originais.
O hábito de andar de lado gerou comoção entre os primeiros ingleses que chegaram à Índia. Acreditavam que era um ato pura devoção e fé dos monges anões. A verdade é que andavam de lado porque dava tempo de cutucar a perna alheia para que prestassem atenção no que poderiam estar pisando. Sábios estes monges, muito sábios.
Bem, quanto ao pergaminho dizem que Moisés teria deixado para trás os outros cinco, pois um dos mandamentos contrariava seus interesses pessoais. Ele, diziam as más línguas hebréias, em sociedade com o irmão, estava fazendo a venda antecipada de lotes da terra prometida. Era um negócio bastante rentável e Moisés não queria perder essa.
O 12º mandamento, pregavam os monges anões, dizia algo como: Cumprirás os contratos estabelecidos em duas vias e com assinatura reconhecida. Daí o esquecimento de Moisés - proposital alegam os monges -, em alguma das cavernas onde ele ia ver o mato queimar e depois de alguns pegas, digo minutos, falava com Deus. Moisés voltava urrando de fome depois dessas conversas.
Mas a mudança proposital resultou num castigo a Moisés: vagar pelo deserto por 40 anos, e conseqüentemente o castigo foi estendido aos demais pobres hebreus.
E pensar que eu canso por andar 500m até parada de ônibus.
Por muitas vezes Moisés esteve perto apedrejamento. Mas ele sabia contornar a situação com uma boa lábia. Culpava os próprios seguidores pelo infortúnio. Como ele era o único que falava com Deus, os demais se conformavam com a situação. Por causa de uma cara que falava outros milhares pagaram o pão ázimo que o diabo amassou.
Falar, falar e falar. Algumas pessoas parecem que só sabem fazer isso.
Uma coisa é falar e ter algo a dizer. A outra é falar muito e não dizer nada.
Esta semana eu passei por uma situação pra lá de vexatória, justamente porque uma figura falou o que não devia para pessoas que tinha acabado de conhecer. Além do mais, mandou os dois se submeterem a um ato que exige um bom domínio sob o corpo e extrema flexibilidade.
O pior que tudo é que fiquei com uma cara de tacho sem saber o que dizer. Mas se algo serviu de lição foi a revelação que tive na mesa onde estava. Deu. Pra mim chega. Quer pagar mico? Pague. Mas me deixa fora dessa.
Deus, como eu queria um pedaço de silvertape, um chiclete, um abiu, qualquer coisa que fizesse aquela figura ficar calada. Mas não. Só vinha mais cerveja. O que parecia servir como lubrificante para mandíbula da figura. Pior que o cigarro funcionava como gasolina aditivada pros pulmões.
Deus devia ter colocado uma tecla Mute em algumas pessoas. Quando elas se tornassem inconvenientes - isto é tão pouco para qualificar a situação , bastaria apertar a tecla até a hora de ir embora.
Eu me sentia como se alguém estivesse me pintando de verde limão e adornando com luzes de árvore de Natal. Queria me enterrar. Isso depois de ver a cara que as duas pessoas ofendidas fizerem pra mim. E nada da figura se tocar.
Depois me perguntam por que sou tão calado... Prefiro o silêncio a abrir a boca pra ofender pessoas que mal conheço. Blearg!
Acho que é por isso que os budistas alcançam à evolução espiritual, silenciosamente, através da meditação. Não dá pra imaginar o Dalai Lama meditando e cantando Hello my baby, Hello my honey, Hello my ragtime gal.... No máximo ele estaria apenas se divertindo um bocado.
Im back!

enviada por Marvalsc
27/03/2005 17:16
Keep moving!
Eu ainda estou vivo. Depois de quase um mês longe de internet, e-mail, blog, tudo graças à mudança de endereço do jornal, estou de volta para atualizar o Losing velho de guerra.
É estranho como o irreal, a virtualidade, se sobrepõe cada vez mais sobre a realidade (se é que ela existe).
Boa parte das minhas preocupações nas últimas semanas era justamente o fato de não poder ver meus e-mails, o Orkut e o blog. A verdade é que nada disso é real ou palpável, a não ser que eu dê um Ctrl P. Realmente estranho.
A Chris é uma prova dessa virtualidade que todos acreditam ser real, mas não passa de uma ilusão. Ou seria histeria coletiva? Se bem que há o envolvimento alienígena por trás disso tudo. Lembrando o Arquivo X: A verdade está na Madenorte.
Brigado por todos os testemonials, Chris! Se é que você existe mesmo.
Mas chega desse papo filosófico-existencialista. A verdade é ando feliz com as muitas coisas que tem acontecido nestas últimas semanas.
1. A inauguração da loja de quadrinhos do Caverna e da Viviane. Estou feliz por esses dois.
2. A possibilidade de assumir a editoria do caderno de cultura do jornal. Isso porque o atual editor não é capaz de distinguir Shakespeare de Milkshake.
3. Ter recebido um convite de trabalho dentro do jornalismo, mas que foi devidamente recusada. Isso envaidece pra caramba, mas sair de Belém?! No way!
4. Estar me empenhando no curso preparatório para o TRE. Tenho de passar nessas provas.
São tantas coisas, mas essas são, sem dúvida alguma, as mais importantes.
Além do mais, as farras com os amigos continuam rendendo boas histórias. Parece-me que estamos fadados ao surrealismo que Belém proporciona aos seus moradores.
Na semana passada, mais precisamente no café da manhã no Verupa, após mais uma das infalíveis festas no Café com Arte, estávamos (Eu, Natalia, Aloizio, Danic e Velton) saboreando aquele pão com ovo e tapioquinhas, quando começa a tocar Vós sois o lírio mimoso.
Nada de tão estranho se a música não viesse de uma barraca atrás de nós, onde um cara atracado com uma garrafa de cerveja, e com um monte de velas acesas num prato, ouvia placidamente a canção. Mas, pra surpreender ainda mais, logo em seguida começa a tocar American Pie, do Don Mclean.
Já na quinta-feira, no Otto, no final da festa, estávamos sentados (outros dormindo) conversando, quando apareceu uma figura com um papo mais nonsense: Cara! Se liga! Tem umas figuras se metendo com tóxicos, uns cabeludos. Isso é perigoso. Falô ai!
Depois disso o cara saiu fora, e ninguem sabia quem diabos era o maluco. Da pra acreditar?
Isso é Belém, isso é Pará.
Tô de volta!
enviada por Marvalsc
15/02/2005 19:32
A fuga
Havia culpa naquele olhar. Não a culpa dos condenados ou a dos traidores, as mais latentes. Era a culpa da antevéspera do crime. A culpa oculta por entre um sorriso meigo e angelical. Percebi isso momentos antes da ação criminosa.
Cheguei cedo ao jornal, o que não era normal. Ao sair do elevador deparei-me com aquele olhar de dolo. Mas o pior era que ele vinha acompanhado de um outro olhar, este cúmplice. Sim! Eram dois os culpados.
Estavam diante de mim quando o olhar vigilante da autoridade também percebeu que algo estava para acontecer. Os olhares se cruzaram novamente. O crime estava próximo de ser cometido.
Eu sabia que algo ia acontecer, só não sabia o que. A cada passo que eu dava no corredor parecia uma seqüência de um filme do John Woo. No terceiro passo teve inicio a fuga. O que se viu em seguida foi o desespero em pessoa, estampado na face de uma mulher. Pois não havia nada, naquele momento que ela pudesse fazer para evitar a fuga em andamento. Exatamente, era uma fuga.
Um dos criminosos me tomou por refém, Na verdade minha perna direita foi tomada como refém. A garotinha de uns dois anos se atracou na minha perna e dava pulinhos com as pernas curtas e ria, ria muito.
Mas o outro cúmplice seguiu direto pelo corredor e entrou numa sala desocupada. Tentou voltar, mas viu que não tinha saída. Foi pego na porta, atordoado pela indecisão de seus três anos. A fuga chegava ao fim, e ele havia percorrido menos de 10 metros.
Ainda era refém dos bracinhos enquanto via o outro fugitivo ser capturado e trazido sobre severos olhares da autoridade máxima para aquela figurinha, a mãe.
Decidi que era minha vez de contribuir para os bons índices de redução da criminalidade. Olhei para a minha quase seqüestradora, ela riu com os dentinhos separados, estiquei os braços até ela, e, para minha surpresa, eles responderam erguendo-se em minha direção. Aceitou pacificamente a rendição. Como prêmio recebeu um beijinho nas bochechas e afagos nos cabelos loiros e cacheados.
A mãe, que assistiu a tudo, se aproximou rindo meio sem jeito, e tomou a garotinha dos meus braços. Foi a vez dela reagir. Se atracou nos meu pescoço e sapateava o ar como se quisesse correr, ou decolar vôo. Alem de tudo dava uns gritinhos engraçados.
As mãos hábeis e acostumadas a pregar a obediência carregaram o corpinho cheio de panos e que davam a impressão de uma estopa com perninhas. Ainda puxou meu cabelo, numa última tentativa de manter a liberdade. Os gritos se tornaram um choro capaz de comover o mais cruel dos carrascos. Tudo em vão.
Depois a mãe me explicou o motivo da fuga, era que o casal de irmãos estava com consulta marcada no pediatra e não gostavam muito da idéia de uma possível injeção. Estavam os dois sentados enquanto a mãe fazia o relato ao jornalista curioso.
Percebi o mesmo olhar dos minutos anteriores, enquanto girava a chave da porta da redação. Aquela mãe ainda ia penar um bocado. Era terça-feira. Estes eram os dias sempre estranhos e sem muito nexo. O tempo ainda estava nublado. Liguei o computador e voltei para o mundo real.Os choros continuaram lá fora.
enviada por Marvalsc
11/02/2005 19:24
192 Hour Party People
Uma das razões para escolher as pessoas certas para se chamar de amigo, é o fato de que podemos contar com elas nos momentos certos. Na maioria das vezes estamos nos divertindo e zoando com tudo que é possível. Mas há os momentos que nem sempre são de alegria, e eles estarão lá com certeza.
A família também, por mais que as vezes eles atormentem por demais seu dia a dia, se mostra o lado mais forte e refugio certeiro quando mais precisamos. E percebo que tenho amigos verdadeiros, poucos, mas verdadeiros. Minha família também é maravilhosa. O único torto sou eu mesmo.
Você que lê (pelo amor de Deus! Vá ler Dostoieviski, Rubem Fonseca, algo do gênero) este blog não pense que esse é um texto sentimentalista. Não. Na verdade é apenas um agradecimento aos que fizeram dos últimos dias um aniversário pra lá de divertido. Mesmo que sua segunda-feira de carnaval seja em companhia de apenas três pessoas. Mas que valem por uma multidão.
Tudo começou com a festa a fantasia no café com Arte. E foi uma das coisas mais bacanas que já vivi naquele lugar. Desde o almoço na casa da tia, até a corrida para comprar uma fantasia, tudo foi válido.
O bom de ser criativo é que de uma fantasia de padre, pode se transformar no Jason de sexta-feira 13. A verdade é que uma capa plástica de chuva, uma máscara e um machado podem compor muito bem uma fantasia bacana, para uma noite de muito rock, black music e marchinhas de carnaval.
A Natalia estava de Mortícia, Aloizio de Gómez, Amanda de bruxa, o Velton de Robert Smith e eu de Jason. Parecia mais um Halloween fora de época. E lá foi o comboio pelas ruas de Belém, com direito a crianças olhando pra gente dos outros carros.
Mas ficar com uma capa de plástico e uma máscara que funcionava como um termostato corporal, não é lá muito confortável. A primeira vez que tirei a capa, e isso depois de umas doses de vodka e ter dançado e tudo mais, tive a sensação do que deve ser usar um colant: minha camisa estava grudada no corpo.
O pior é que com isso eu não ficava porre, porque estava evaporando tudo. E haja água para combater a desidratação galopante.
Outra coisa muito bacana é muita gente entrou no espírito da festa e foi fantasiada também. E teve da noiva de Kill Bill a Sheilla da Caverna do Dragão. Mas o destaque ficou mesmo com o Randy vestido de homem de lata do Mágico de Oz.. A apoteose foi ele regendo Dancing Queen no final da festa.
O lado engraçado foi uma figura que ficava me chamando, fazendo caras e bocas pro meu lado, no final da noite. Pirralha metida a mulherão não é comigo. E também não ando numa maré de estar a caça. È bem melhor dançar na companhia de amigos durante uma noite toda, do que ter cinco minutos de amasso, e dias de perturbação. Afinal havia muitas caras conhecidas na área e poderia ter sérios problemas com espiões. Já me bastam os alienígenas me seguindo para onde quer que eu vá. Contudo, foi a melhor madrugada de todos os trinta e três 06 de fevereiro da minha vida.
Domingo
Domingo a coisa foi mais light. Com um sono terrível já que havia dormido apenas duas horas nas últimas 48 anteriores, tive de preparar a lasanha Garfield. Mas deu tudo certo e todo mundo se acabou na mesa. E mais tarde numa mesa de bilhar.
A segunda foi mais doida ainda. Vodka, pringles, pipoca, lanjal, limanjal, gelo, um monte de cds e quatro pessoas fazem uma festa e tanto. Velton, Et , Aloizio e eu ficamos a noite toda, até amanhecer, comendo, bebendo, bancando os DJs e dançando muito. A coisa funcionava da seguinte maneira:cada um pega um c, coloca uma música e tenta adivinhar qual é banda e nisso vamos dançando e se divertindo. DUKA!!!!
Além de tudo ganhei de presente uma porrada de cds. Desde começo de mês ao fim terei aumentado sensivelmente minha coleção. A vida é boa.
Ontem ainda teve o Otto lounge bar, que com certeza ficarei dependente. Daqui a pouco jantar na casa do Marcos. Resumindo, mais de uma semana de comemorações.
Obrigado a todos os que me ligaram (Suye, te amo), mandaram e-mail (N.Over brigado por tudo) e mensagens, e que fizeram a festa e tornaram este aniversário inesquecível.
Amigos são sempre amigos, mas os verdadeiros são eternos.
enviada por Marvalsc
01/02/2005 18:03
Farra, farra e muita farra!
Não há como fugir mais. Eles fizeram alguma coisa comigo... Alienígenas miseráveis! Devo estar com algum tipo de chip implantado em mim, só pode. Aonde quer que eu vá, lá esta a alienígena me observando.
Bem, apesar de tudo os últimos dias tem sido muito divertidos. Desde a sexta bebendo com o pessoal do jornal até a primeira derrota ao vivo do Leão azul. È! senhoras e senhores, aconteceu finalmente. Após anos de futebol aconteceu de eu assistir a primeira derrota do Remo, justamente para a coisa. Definitivamente este ano é o ano de grandes mudanças.
Outro fato importante é que se aproxima edição anual do Quarup urbano. A festa começa na sexta-feira e deve se estender pelo menos até a terça-feira de carnaval. A previsão é que pelo menos 100 pessoas devem participar do evento que acontece em diferentes dias, reunindo diferentes tribos numa só corrente movida por comida e muita bebida.
Feijoada, festa a fantasia no Café com Arte, a grande-mega-super lasanha, vitelas ao vinho (presente do Marcos) com o clã, reunir o gueto, reunião na casa do Velton, jantar com a digníssima senhorita...Eitá! que é tanta coisa.
Acho que até o período próximo a Páscoa eu devo estar multiplicando a vodka, ou, quem sabe, receber uma mensagem para conduzir o meu povo a terra prometida.
Na verdade estou com medo de ir até Salinas. Vai que de repente eu queira entrar na água e comece a andar sobre as ondas. Além do espanto das pessoas, seria uma frustração desgraçada.
Você que lê essa bagaça deve estar se perguntando: esse cara deve estar pirando de vez? Acreditem isso ainda não aconteceu. A verdade é que com a chegada da idade de Cristo na minha vida, parece que só agora muita coisa começa a fazer sentido. É como se tudo surgisse de uma vez e o grande estalo tivesse sido dado. Parece que eu to querendo levar a vida a sério...que estranho...
Mestre Yoda esta orgulhoso das mudanças.
Obrigado, meu caro Marcos.
enviada por Marvalsc
12/01/2005 19:53
sometimes...just sometimes...
Decididamente o destino gosta de brincar com a minha vida. Minha segunda-feira começou terrível, como se segunda-feira fosse um dia maravilhoso. Blearg!
Mas, deixando os corpos de lado, a terça-feira foi infernal como tem sido nos últimos meses. Porém, pela manhã, fui acompanhar a apresentação do Mangal das Graças à imprensa, com direito a lanche no final da manhã e passeio pelo lugar. É realmente bonito. Mais uma dentro do governo, que apesar de tudo tem criado bons espaços para se apreciar a orla da cidade.
Enfim, o lado bom da vida é que você sai para rua, e no meio do trabalho, você se depara com uma figura baixinha, branquinha, fofa, de olhos claros e com uma boca tipo Meg Rayan, Fernanda Lima, que tem os dentinhos levemente acentuados pra frente, sem ser dentuça, dando uma acentuada nos lábios deixando-a com um biquinho permanente.
A baba escorria, o coração batia forte, gaguejava enquanto falava com ela. O pior é que ela falava, e bem. É inteligente, viva, e tem um sorriso pra lá de encantador.
Como em outros momentos falei sem o auto-controle verbal. Você é muito simpática, e me desculpa o atrevimento, muito bonita. Ela corou o rosto rosado, e baixou a cabeça sorrindo, respondendo um obrigada... com jeito de menina manhosa. Estava me apaixonando a cada segundo que transcorria aquela breve entrevista.
Em um certo momento ela disse que achava o jornalismo uma profissão muito interessante, mas que a pedagogia era sua paixão. São duas profissões que se assemelham ao sacerdócio, retruquei. Ela riu, linda.
Fiquei olhando fixamente e ela percebeu, sorriu e perguntou: o que foi? Nada, só estou me apaixonando por você, nada de mais, respondi mentalmente. Apenas sorri, e disse-lhe que era encantadora. Ela ficou com as bochechas rosadas novamente. Minhas inibições realmente vão embora quando as mulheres são fascinantes sem sabê-lo.
Uma coisa começou a zumbir no meu ouvido. Foi crescendo, aumentava a cada instante até que explodiu numa frase: Convide ela pra sair, seu idiota! Parecia que a Natália estava falando comigo mentalmente. Respirei fundo, olhei para ela e aqueles olhos castanhos sorriam intrigantes. Posso te fazer um convite? Perguntei à ela, que me respondeu com o mesmo sorriso, e acrescentando que só se fosse num local aberto.
Não me passou pela cabeça te convidar pra entrar num camburão, disse. Ela riu novamente, pontos marcados.
Pode ser amanhã, perguntei.
Claro, me dá seu telefone, disse.
Mas seu te der o telefone, como é que eu vou ligar para você? Disse sorrindo.
Ela respondeu com o mesmo sorriso lindo. Engraçadinho, disse ela.
Dei o número e quase não dormi de ansiedade.
Ela me ligou e agora devo sair para encontrá-la. O destino me ama e me odeia na mesma proporção. As vezes até gosto desse filho da mãe.
You Done Lost Your Good Thing Now
enviada por Marvalsc
10/01/2005 23:58
Slave to hurt
Você esta pensando em como fazer para entregar as cinco matérias que te encomendaram, para serem entregues esta semana, quando o celular toca. Era ela. Depois de mais de um mês sem dar notícias, e de você esta se divertindo a valer nas últimas semanas, bate aquela apreensão típica de que será que mudou alguma coisa?
Estou aqui em baixo, disse ela referindo-se a entrada do prédio.
Larguei tudo que estava fazendo e desci para encontrá-la. Lá estava o carro vermelho vinho e com a motorista mais bacana, sobriamente falando, que eu conheço. Sorriu pra mim e disse: Entra! Sem muitos rodeios. Não posso demorar, foi à única coisa que disse antes dela sair pisando fundo no acelerador. É nessa hora que você percebe que algo não está bem. Na minha cabeça veio à música do Darth Vader.
No mesmo momento lembrei do filme Vanilla Sky, pelo jeito como ela estava dirigindo, e você se sente na roubada do século.
Porque tu não tens mais me ligado! Seu filho da puta! Berra ela.
Boa tarde pra você também, olhos verdes. Disse sem olhar para ela.
Seu Natal foi bom? Perguntei pra ela.
O que você fez não é certo! Você não tem o direito de me tratar assim! Continua o berreiro dentro carro. Isso chama a atenção dos motoristas dos carros que param ao lado do nosso. Até aquele momento eu não sabia pra onde diabos ela estava me levando.
O carro seguiu reto pela avenida Nazaré e pela avenida Almirante Barroso. Dobrou na rua do Hospital Belém e eu lá, boiando. Entramos num portão esquisito. Era um drive-in.
Minhas matérias, esse era o meu único pensamento naquele momento. Eram duas e meia da tarde e eu estava na porra de um drive-in.
Os xingamentos continuaram sem dó nem piedade, até a fase de querer me bater. È a hora de agir, pensou o meu braço direito, momentos antes do meu cérebro. Gosto da minha mão direita e ela de mim. Olhos verdes percebeu isso bem a tempo e recuou.
Voltou à cara de menina. Isso era bem pior do que vê-la com o ódio latente no olhar. Quando ela fazia aquela cara era hora de se preparar para um tsunami emocional. Você se tornava à razão de todas os males do mundo. Da queda do dólar ao efeito estufa, nada escapava da minha responsabilidade por continuar vivo no mundo.
Foi um porradal daqueles, coisa tão típica há cerca de dez anos atrás e você se sente numa brecha temporal e se vê fazendo coisas que não deveria. É quando aflora um lado seu que deveria estar morto, mas que ressurge volta e meia.
Resumindo a história, voltei pro jornal com a consciência pesada, pelo braço leve, e um monte de calombos na canela.
Espero nunca mais ver essa doida, porque de maluco eu entendo, e convivo com um há mais de 30 anos. E não a melhor terapia do que uma que eu conheço e sei aplicar muito bem. Vade retro!
enviada por Marvalsc
31/12/2004 14:56
Adeus as armas...
Faltam menos de 12 horas para o fim de 2004. Um ano que não me deixa saudades. Restam as esperanças renovadas para mais uma batalha de 365 dias. Há tantos planos e sonhos para este ano que considero derradeiro. Talvez seja a grande linha divisória de minha vida. Mas isso tudo e apenas ao que se refere o meu lado profissional, o sentimental entreguei pra Deus.
Estou cansado de esperar, e vejo que e hora de parar de olhar para trás e ver no horizonte alguma luz que faca ver sentido em algo chamado amor.
Recebi a menos de uma hora as palavras de carinho de alguém que aprendi amar de uma forma muito especial. Para ela, o ano de 2005 já esta valendo. Por mais que se ouça tantas palavras de incentivo, de apoio, de quase gratidão, eu sei que dificilmente eu voltarei a vê-la tão cedo. Vida de merda!
O Marcos, esse meu irmão e guru, disse que eu tenho de parar de ter medo de voltar a me envolver com alguém (não foi por falta de oportunidade). E que devo me libertar do que me prende ao passado e deixar de esperar pela princesa oriental. A vida e agora. Não e ontem nem será amanha. Tua vida e hoje!, esbravejou o filosofo ao ouvir mais um rosário de lamentações.
O pior e que diante de uma amiga, ele apontou para ela e continuou na ultima esculhambação do ano. Essa mulher te ama, seu otário! Essa e uma mulher que te ama com todas as forcas e você não consegue ver isso! E fica se lamentando por uma doida que esta do outro lado do mundo. Deu pra perceber que ele não estava de muita boa vontade para ouvir meus dramas sentimentais. Ficou aquela situação de rinoceronte no meio da sala, ou seja, ninguém sabia o que fazer. O constrangimento da outra figura era latente.
Amar e bem mais do que estar perto de quem se ama, eu respondi pra ele. Vai a merda, foi o singelo comentário do desgraçado. E passou a criticar quem não tinha nada a ver com o peixe. Com palavras nem um pouco recomendáveis, percebi que ele tem realmente ojeriza por uma pessoa que eu adoro.
Passamos a discutir firmemente, e o resultado e que terminamos o ano brigados. Não era isso que esperava ao visitá-lo. Mas se ele quis assim paciência. Tem coisas que não aceito que se façam diante de mim e nunca vou aceitar.
Meu Deus acaba logo com esse ano que eu não agüento mais...
Que 2005 seja realmente bem melhor! E Que venga el toro!
enviada por Marvalsc
21/12/2004 18:54
Há períodos na vida em que tudo parece dar errado. Aqueles planos tão perfeitos se vão por terra. O sonho tão esperado se desfaz num maldito e-mail. A vida é irônica, a vida desgraçadamente irônica. A vida é uma bela de uma merda!
Havia dias não tinha noticias da Suye e já estava até achando estranho. Lembrei até que tinha dito isso pro Aloizio e pra alienígena. Até que você recebe um e-mail maldito, e descobre que sua esperança de ter um natal que preste, se foi, ou melhor, não vem.
Suye estava prestes a deixar o Japão e foi informada pela empresa que só teria quatro dias de folga. Pois um maldito setor ficaria desfalcado de funcionários se ela não ficasse afastada mais tempo. e claro que não compensa passar dois dias no Brasil.
Ou isso é mais um teste da vida, ou uma puta sacanagem do destino!
Espírito natalino é o caralho! Foda-se!
Está tudo errado! Não é certo, não é justo! Porra!

enviada por Marvalsc
25/11/2004 23:49
Cont.
O cara continuava desolado, mais perdido do cachorro que cai do caminhão de mudança. Ele bem que tentava esboçar alguma reação, ou dizer algo, mas os gestos e a boca pareciam receber um sinal vermelho e ele se entreolhava.
A baixinha voltou a carga.
Baixinha - O que eu não tenho de altura, compenso com outras coisas. Disse com um certo desdém.
Mulher: - Mas é claro que você tem outros atributos, só espero que não sejam proporcionais ao seu tamanho...
O rosto da baixinha se transfigurava. Lembrei imediatamente da Linda Blair no Exorcista.
Condenado: Parem... disse ele com a voz quase sumindo.
Mulher: - Mas parar com o que um querido? Isso é apenas uma mulher e uma garota colocando seus pontos de vista
Condenado: - Mas é justamente isso que eu quero que termine. Implorava ao pobre diabo.
A baixinha permanecia em pé diante dos dois com um sacolejar esquisito e segurando uma bolsinha, que - eu tenho certeza - há qualquer momento seria utilizada com mesma fúria que um guerreiro viking empunharia um machado.
O cara na maior desfaçatez, ou não tendo outra opção, dirigiu-se ao carro acompanhado da mulher, para o desespero e indignação da baixinha.
Baixinha: - Isso é melhor você levar a senhora pra casa, já ta meio tarde, não é bom pessoas de idade ficarem pela rua estas horas.
A mulher, que até então parecia conformada com a situação e sentindo-se vitoriosa, girou sobre os calcanhares ao ouvir o comentário da rival.
Mulher: - Sabe de uma coisa é melhor você acompanhar essa menina até a casa dela. Já esta tarde e isso não é hora de criança estar na rua, pode ser muito perigoso.
A baixinha se enfezou de vez.
O condenado finalmente resolveu tomara uma atitude: pegou a mulher pelo braço e a colocou no carro. Isso serviu para irritar ainda mais a baixinha que se sentia desprestigiada com o que estava acontecendo.
Condenado: - Olha, eu vou deixar ela em casa e depois a gente conversa, ta?
Baixinha: Você vai conversar com a puta que te pariu! Gritou ela perdendo de vez o autocontrole.
Terminei minha coxinha, paguei e fui anotando a história num dos infalíveis bloquinhos que me acompanham. Era hora de pegar o ônibus, e voltar pra casa rindo sozinho
Cenas de Belém.
Ps: Atualmente o Condenado mora com a Mulher em um apartamento bancado por ela. E a Baixinha? Bem, a Baixinha é gente boa e tem realmente atributos fantásticos. Mas isso é uma outra história.
enviada por Marvalsc
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